Resenha: Tesão de Viver | Clóvis de Barros Filho e Júlio Pompeu | Planeta de Livros

Eu adoro ler sobre histórias de vida e de morte, por isso escolhi este lançamento da nossa parceira Planeta de Livros.

Escrito por dois autores com excelentes formações e currículos, o livro me trouxe uma nova experiência de leitura. Percebi que os casos, explicações e reflexões formam uma diferente e interessante colcha de vivências, relatos e percepções.

" Observar-se permite conhecer-se. E conhecer-se exige esquecer-se de si mesmo. Perceber-se iluminado, a cada instante, por tudo que existe."

Com a frase acima, os autores começam a introdução do livro, chamada de advertência. Alternando histórias de vida, cheias de expectativas e sonhos, com pensamentos filosóficos, Clóvis e Júlio constroem um livro diferente e provocante.

A primeira história, Veneza de Serra Negra, foi uma das minhas preferidas e me trouxe questionamentos importantes. Quantas vezes a expectativa, o sonho, é melhor que a realidade? Maior do que aquilo que mais almejávamos? Você já parou para pensar sobre isso?

Gostei muito também de Chamados de humanidade, que forma o quinto capítulo. O autor aceitou um convite da pastoral carcerária para dar uma palestra aos presos do Cadeião de Pinheiros. Um texto forte, honesto, rico, emocionante e extremamente reflexivo.

O livro é composto de sete capítulos, além da apresentação e do prefácio. Gostei muito dos nomes dos capítulos, além dos acima citados, temos ainda: Lamento em primeira pessoa, arritmia impossível de perdoar, banalidades do mundo, a mesmice repetida do eterno e só o devastador será sublime.

Achei a capa bonita e diferente, gostei da combinação das cores. Edição caprichada da Planeta, ótima diagramação e revisão impecável. Os capítulos curtos e com bom espaçamento facilitam a leitura, que engana, não tem nada de superficial, embora a escrita seja fluida e de fácil compreensão.

Gostei muito das histórias. Das explicações, por vezes soltas, não tanto. Ou melhor, pude perceber com este livro o quanto por vezes sou rígida nas minhas leituras. Porque eu preciso saber qual dos dois autores está escrevendo naquele momento? Isso não fica claro durante na maioria da leitura e só no término percebi este meu incômodo (e tentativa de controle da leitura).

Esta diferente leitura não foi o que imaginei a princípio e com certeza me tirou da minha zona de conforto. Descobri, com surpresa, que tenho dificuldade em entender e até gostar de livros sobre filosofia, pois este é o terceiro que leio este ano e percebo a mesma sensação de estranhamento, bem como as reflexões despertadas por eles.

Ler sobre histórias de outros, remete às nossas histórias e talvez venha daí o certo incômodo vivenciado por mim nesta pandemia e nesta leitura.

Outra coisa que refleti foi o quanto me incomodou o fato dos autores contarem os desfechos de livros e filmes, nas suas interessantes citações. Talvez sem querer (ou não) deram vários spoilers. Isso mexeu comigo e fiquei brava durante a leitura.

Enfim, com certeza este livro me tirou da minha zona de acomodação. Não tiro de forma alguma o mérito da leitura, pelo contrário, acho que ela conseguiu me abrir os olhos para certas fragilidades. Termino sua leitura mais atenta às minhas emoções e questionamentos. Ficou curioso? Leia! E depois me conte o que achou, eu vou adorar saber.


Tesão de Viver
Autor: Clóvis de Barros Filho e Júlio Pompeu
Ano: 2020
Páginas: 176
Editora: Planeta
Livro cedido pela editora
Minha avaliação: 4/5 estrelas
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