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Eu Li: Serotonina

Olá!
Hoje trago para vocês a resenha do livro Serotonina, de Michel Houellebecq, da nossa parceira Editora Alfaguara, Grupo Companhia das Letras.

Sinopse
Niilista lúcido, Michel Houellebecq constrói um personagem obsessivo e autodestrutivo, que analisa a própria vida e o mundo que o rodeia com um humor ácido e virulento. Serotonina mostra que o autor continua sendo um dos mais perspicazes analistas do século XXI. Florent-Claude Labrouste tem 46 anos, detesta seu nome e toma antidepressivos que liberam serotonina e causam três efeitos colaterais: náusea, falta de libido e impotência. Seu périplo começa em Almeria (Espanha), segue por Paris e depois pela Normandia, onde os agricultores estão em luta. A França está afundando, a União Europeia está afundando, a vida de Florent-Claude está afundando. O sexo é uma catástrofe. A cultura não é mais uma tabua de salvação ― nem mesmo Proust ou Thomas Mann são capazes de salvá-lo. Nesse contexto, Florent-Claude descobre vídeos pornográficos assombrosos em que sua atual companheira aparece, e isso é a gota d’água para que ele deixe o trabalho e passe a viver em um hotel. Perambula pela cidade, visita bares, restaurantes e supermercados. Repassa suas relações amorosas, marcadas sempre pelo desastre, que transitam entre o cômico e o patético. Ao se reencontrar com um velho amigo aristocrata, que parecia ter uma vida perfeita, mas que foi abandonado pela esposa e se vê falido, Florent-Claude aprende a manejar uma arma de fogo ― que vai mudar sua vida para sempre. Em um espiral de problemas, Florent-Claude se torna um hábil analista da contemporaneidade, de seus anseios, inseguranças e problemas. Sua vida, um reflexo do desinteresse pelo mundo, será o espelho das mais cruéis agruras da vida.
Eu gosto muito dos títulos da Editora Alfaguara, eles estão entre os meus preferidos. Quando vejo algum lançamento deles já fico interessada. Serotonina me chamou mais atenção ainda, pois queria muito conferir a escrita deste autor francês, Michel Houellebecq.

Li este livro em parceria com a minha amiga Célia, do Instagram Farmácia de Livros. Este é a nossa quarta leitura conjunta e com certeza a mais estranha. O bacana de ler com outra leitora, no casa uma amiga que tem gosto literário parecido com o seu, é a intensa troca de impressões. Nós rimos, nos surpreendemos, nos irritamos em algumas passagens do livro, mas enfim, concluímos a leitura.

Acabei o livro e disse para a Célia que precisava de um tempo para digerir o livro e pensar nas minhas impressões. Fiquei na dúvida de como sairia esta resenha, mas vamos lá.

É inegável que a escrita do autor é muito boa, ele tem um bom texto, mas o que mais chama a atenção são as sensações que ele desperta no leitor (ou que despertou em nós duas). Ficou claro pra mim, que ele provoca, instiga, cria algumas polêmicas e me faz (re) pensar. Ele é machista? Por vezes parece que sim, isto não me incomodou muito, mas foi uma leitura incômoda. 

Uma trama que fala sobre depressão, morte, suicídio, dificuldade de relacionamento, frustrações e decepções. Apesar de não conseguir sentir empatia, nem simpatia pelo protagonista, esperei que no decorrer da leitura estes sentimentos fossem mudando, mas não foi o que aconteceu.  

Creio que alguns livros, principalmente mais densos, irônicos e pesados como este, precisam ser lidos num momento propício e acho que não foi nosso caso. Acho que as impressões sobre a leitura são influenciadas pelo momento que atravessamos, talvez eu não estivesse na "vibe" certa no momento desta leitura. Acabei o livro com uma sensação de alívio (não sei se era esta a intenção do autor), após uma leitura demorada, quase arrastada. 

Mesmo com as dificuldades, acho que foi uma leitura importante, que me tirou de uma zona de conforto e me deixou com vontade de ler algo mais leve na sequência. Vou deixar para o próximo ano, para experimentar mais uma leitura deste autor, que é tão bem conceituado, embora um tanto quanto polêmico.

Achei a capa lindíssima e ela me confundiu, esperava algo mais leve com ela. Diagramação excelente, como sempre da Alfaguara, páginas amarelas, letras em tamanho confortável, revisão perfeita.
Sobre o autor
Michel Houellebecq é romancista, poeta e ensaísta. É um dos autores mais importantes da literatura francesa contemporânea. Publicou, entre outros livros, os romances Partículas elementares, Plataforma, A possibilidade de uma ilha e O mapa e o território, vencedor do Prêmio Goncourt em 2010.

Serotonina
Autor: Michel Houellebecq 
Ano: 2019
Páginas: 240
Editora: Alfaguara
Livro cedido pela editora
Avaliação: 3/5
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