Resenha: As Pequenas Virtudes | Natalia Ginzburg | Companhia as Letras

 

Um pequeno grande livro. As Pequenas virtudes, de Natalia Ginszburg, lançado ano passado pela Companhia das Letras foi o livro escolhido para o nosso clube da leitura de dezembro. Que leitura bonita!

Um livro de não ficção, uma joia da literatura italiana. Há tempos queria ler um dos livros da Natalia, e após a finalização deste livro, coloquei todos os seus livros na minha lista de livros desejados.

A autora discorre sobre amizades, sobre os lugares que a marcaram, sobre filhos e amores. Este é um daqueles livros que valem a pena voltar de tempos em tempos e abri-lo ao caso. Assim se permitir degustar de um texto bonito e muito bem construído.

O livro é divido em duas partes, na primeira temos artigos sobre lugares e sobre duas figuras importantes na sua vida, o poeta Cesare Pavese e Gabriele Baldini, seu segundo marido. A segunda parte traz ensaios atuais, lúcidos e muito bem construídos. São onze textos, escritos entre 1944 e 1962.

Eu fiquei encantada com a escrita da Natalia. Dona de um texto sempre potente, mas com nuances de poesia, delicadeza e pensamentos coerentes. Muito atual, parecem ter sido escritos hoje.

Em Sapatos rotos Natalia apresenta a sua amizade com uma mulher e faz metáforas deste momento vivenciado. Associa os sapatos à memórias e ao futuro, e mostra as diferenças entre ela e esta amiga recente que lhe parece tão antiga.

Elogio e lamento da Inglaterra traz Londres num olhar peculiar e arguto. Achei tão interessante as reflexões que foi a partir daí que me interessei em assistir a série da NetFlix, The Crown, que retrata tão bem o ambiente da Inglaterra.

Ele e eu é uma declaração de amor. A autora mostra os pontos diferentes de personalidade, seus e do seu parceiro. Um texto saboroso, apaixonado e elegante.

Em O Meu ofício, Natalia narra que sabia há muito tempo que seu ofício era escrever e conta um pouco da sua trajetória enquanto escritora.


O último ensaio é o que dá nome ao livro é o meu preferido, embora todos sejam ótimos. Nele, Natalia reflete sobre valores, sobre o que ensinamos aos nossos filhos, o que realmente importa. Eu adoraria ter escrito um texto tão forte e ao mesmo tempo tão claro e bonito.

"Costumamos dar uma importância ao rendimento escolar de nossos filhos que é totalmente infundada. E também isso não é senão respeito pela pequena virtude do sucesso. Deveria basta-nos que não ficassem muito atrás dos outros, que não fossem reprovados nos exames; mas não nos contentamos com isso; deles queremos o sucesso, queremos que satisfaçam nosso orgulho..."

Achei a capa interessante e diferente. Esta edição segue a original brasileira, publicada pela Cosac Naif. Ainda acho a capa da Cosac ainda mais bonita. Esta edição é caprichada e bem cuidada. Excelente diagramação e revisão impecável.

Não é uma leitura fluida, nem rápida, mas é muito bonita. Vale a pena conhecê-la. Recomendo muito!

Sobre a autora
Natalia Levi Ginzburg nasceu em Palermo, em 1916. Pertenceu a um grupo intelectual da maior expressão da literatura e crítica italiana, do qual fazia parte Cesare Pavese, Italo Calvino, Elio Vittorini, Giulio Einaudi e Eugenio Montale. Seu primeiro marido, Leone Ginzburg, foi morto numa prisão romana em 1944. Um dos filhos do casal é o renomado historiador Carlo Ginzburg, conhecido pela obra O queijo e os vermes (1976) e autor da introdução feita especialmente para a edição brasileira do livro Piero della Francesca, de Roberto Longhi, publicado pela Cosac Naify, em 2007. Natalia casou-se depois com o crítico literário Gabriele Baldini. Integrou o Partido Comunista, foi ativista política e deputada.

As Pequenas Virtudes
Autor: Natalia Ginzburg
Tradutor: Mauricio Santana Dias

Ano: 2020

Páginas: 128
Editora: Companhia das Letras
Minha avaliação: 5/5
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Comentários

  1. Oi Clau tudo bem?
    Achei bacana conhecer esse livro aqui, gostei muito e achei que a divisão do livro em duas partes ajuda melhor a assimilar.
    Beijos.



    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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  2. Oi Clauo! Adorei o nome desse livro e curti muito sua resenha. Fiquei com muita vontade de ler, pois adoro esse tipo de texto, ainda mais em escrita fluida e potente. De fato, um livro para reler de tempos em tempos... Beijos! Karla Samira

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