Uma Mulher No Escuro | #12LivrosPara2020 | Dezembro

 

Olá!
Hoje trago para vocês a resenha do livro Uma Mulher no escuro, de Raphael Montes, Companhia das Letras.

Escolhi este livro para ser o livro de dezembro da nossa TAG #12livrospara2020. Esta TAG é uma parceria com os blog Mundinho da Hanna e Pacote Literário. Não deixe de passar nos blogs das meninas para conferirem suas postagens! Se você quiser relembrar as postagens do ano passado, clique aqui. Todo dia 12 posto a resenha de um livro que está na minha biblioteca aguardando a leitura. 
Com esta postagem encerro minha participação nesta TAG, neste ano. Voltarei em 2021 com novos livros, que me acompanharão no decorrer do ano. Você pode me ajudar na escolha dos livros. Clique aqui para acessar o formulário de votação da TAG #12LivrosPara2021.


Há tempos venho ensaiando esta leitura, sim ensaiando pois este é o típico livro que me tira da minha zona de conforto. Confesso que ainda tenho um certo temor para ler thrillers. Já estava curiosa e quando soube que ele ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor romance de entretenimento 2020, pensei agora é a hora. Gente do céu, que livro! Num fôlego só, aliás quase fiquei sem fôlego com esta leitura.

Primeiro quero destacar que a escrita do Raphael é ótima. Fluida, interessante, direta e ao mesmo tempo muito envolvente. Me fisgou desde o início.

Sim, é um thriller e sim eu li tensa o tempo todo, mas é o típico livro que você simplesmente não consegue largar, você PRECISA descobrir o que aconteceu e Raphael te conduz pela trama de forma firme e determinada. Uau!

A história começa narrando uma tragédia familiar. Victória Bravo, aos 4 anos é a única sobrevivente do massacre que vitimou sua família, vinte anos atrás. A mãe, o pai e seu irmão morreram em casa, numa madrugada, com ferimentos de faca e tiveram seus rostos pichados. Por que ela foi poupada?

Criada por sua tia avó, Emília, uma velhinha muito fofa e simpática, Victória cresceu naturalmente ressabiada, carente, com dificuldades para fazer amizades e para confiar nas pessoas. Traz em seu íntimo uma autoestima rebaixada e muitas perguntas não respondidas, ou seja a tragédia teve um efeito devastador na sua vida e reflete no seu dia a dia.

Hoje aos 24 anos, usa lacinhos no cabelo, se mantem retraída e guarda seus segredos.

Seu universo é restrito, trabalha num café de um amigo da tia, quase não conversa com seus colegas de trabalho. Tem um amigo apenas, o esquisito Arroz, apelido de quem faz questão de ter poucas informações e intimidade. Seu psiquiatra, Dr. Max, é um personagem importante e ponto de apoio e segurança. No café conhece Georges, um escritor que tenta escrever um livro e consegue quebrar aos poucos a resistência da mocinha, em deixar alguém se aproximar e a conhecer na intimidade.

Santiago é o jovem que assassinou sua família e que depois de cumprir sua pena, mínima por ser menor de idade na época, foi solto e sumiu no mundo.

Um dia, ao chegar em casa, encontra uma das paredes da sua sala, pichada com a pergunta: VAMOS BRINCAR? O pesadelo recomeça e ela precisa descobrir o que está acontecendo, quem é o assassino. Como lidar com esta ameaça.

Eu não vou contar mais, para não dar spoiler e minha sugestão é que você mergulhe nesta leitura "no escuro" sem muitas informações também.

Com um núcleo pequeno de personagens eu fiquei me questionando quem seria o assassino. Seria algum deles ou alguém de fora, ainda não apresentado na trama? Estas dúvidas me mantiveram muito curiosa durante a leitura e eu fiquei doida para descobrir quem seria este personagem. Confesso que sou sempre péssima para acertar meus palpites. Raphael segura muito bem o mistério e conduz a história de forma muito criativa e inteligente.

O livro é narrado em terceira pessoa e vamos entendendo a trama conforme o narrador avança na história. O autor usa um recurso muito atrativo também, o assassino insere alguns comentários entre os capítulos, dando algumas pistas e mostrando que está acompanhando atentamente o desenrolar do drama de Victória.

Neste thriller, Raphael explora questões pesadas e que fazem muito sentido na história, como pedofilia, abuso de menores, sedução. Mostra e questiona até que ponto conhecemos realmente as pessoas que nos são próximas. Gostei muito destas reflexões, destes questionamentos.

A capa do livro é muito bacana e mostra o Abu, ursinho de pelúcia, que Victória mantem e que esteve presente com ela no momento da tragédia familiar que definiu sua vida futura. Edição caprichada da Companhia das Letras, ótima diagramação, revisão impecável. Páginas amarelas e letras em tamanho confortável para leitura.

Foi uma leitura muito rápida, mas tão intensa e impactante que a história permaneceu comigo por dias. Super recomendo, mesmo para quem se aflige e é medrosa como eu. Vale super a pena! Já leu? Conhece a escrita do autor? Me conta.

Sobre o autor

Nasceu em 1990, no Rio de Janeiro. Advogado e escritor, publicou contos em diversas antologias de mistério, inclusive na Playboy e na prestigiada revista americana Ellery Queen Mystery Magazine. Suicidas (Saraiva), romance de estreia do autor, foi finalista do prêmio Benvirá de Literatura 2010, do prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do prêmio São Paulo de Literatura 2013.

Uma Mulher no escuro
Autor: Raphael Montes
Ano: 2019
Páginas: 256
Editora: Companhia das Letras
Minha avaliação: 5/5
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Comentários

  1. Oi Clauo, ao contrário de você, thriller é minha zona de conforto total, junto com distopias... rs Eu ainda não li os livros do Raphael Montes, embora tenha bastante curiosidade. Das obras dele, só assisti uma adaptação de série no Netflix que, aliás, me deixou num misto de medo e curiosidade. Não sei ainda se estou preparada para a escrita dele... rs Mas vou dar uma chance em 2021.
    Bjks e muito obrigada pela sua companhia esse ano, nesse projeto tão lindo. S2

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