Resenha: Querido Edward | Ann Napolitano | Paralela

 


Olá leitores do MãeLiteratura!

A resenha de hoje é do livro Querido Edward, de Ann Napolitano, lançamento da Paralela, grupo Companhia das Letras.

A vida é um sopro...

Ler Querido Edward me trouxe um misto de sentimentos, tristeza, dor, choque, fragilidade e ao mesmo tempo esperança e fé na vida.

Eddie é o único sobrevivente do acidente aéreo que matou sua família e todos os outros passageiros e a tripulação do voo.

O livro me pegou de jeito. Embora goste do tema, sofro com ele. Meu pai é piloto, trabalhou toda a sua vida pilotando aviões comerciais, então estas tramas acabam tendo algo pessoal sempre.

A autora usou um recurso muito interessante. Alternou os capítulos que mostram Edward após o acidente e os momentos finais de um grupo de passageiros, que incluiu o irmão e os pais do menino.

Fiquei muito tensa lendo os últimos momentos dos passageiros, porque sabia que o fim estava se aproximando a cada segundo e eles não tinham a menor noção disso. O quanto a vida é efêmera foi a minha maior reflexão. Pessoas cheias de planos, de problemas, de sonhos, que não se realizaram, que foram ceifados num segundo.

Ao mesmo tempo vamos acompanhar a vida de Edward, que ao lado da tia materna e seu marido, precisa seguir sua vida. É difícil e todos sofrem, o menino se isola e se defende, mas de alguma forma segue em frente. Encontra na vizinha da sua idade, uma amiga fiel e confiável e ela passa a ser a sua melhor companhia. O amor está presente nestas relações, o cuidado hesitante, que precisa ser aprendido também.

Há ainda o acompanhamento psicológico, que não é fácil, mas que o ajuda. E o diretor da escola, que o convoca para ajudar no cuidados com suas samambaias raras. Gostei muito destas cenas e da simbologia delas.

Fiquei chocada com o papel que Edward sem querer recebe, de "salvador", de "verdadeiro milagre". A forma como as pessoas querem se aproximar dele, é desconcertante.

Num determinado momento da trama, Edward descobre duas malas cheias de cartas enviadas para ele, principalmente pelos familiares das vítimas do acidente. Nelas estão os pedidos mais absurdos, inclusive sugestões sobre como deveria ser o comportamento do menino dali para frente.

Apesar de tudo isso, são estas cartas que começam a ajudá-lo, que o tiram de um estado depressivo constante e profundo.


Um dos pontos mais bonitos do livro são as lembranças, a imagem do irmão mais velho que continua presente na vida de Eddie, mas de uma forma natural e não obsessiva ou prejudicial.

As descrições da cabine e o comportamento dos pilotos foram intensos, dolorosos e reais. Ann explicou no final do livro sobre a sua pesquisa e fica claro que ela realmente estudou vários acidentes, conversou com profissionais da área. Com tudo isso criou uma trama muito real e possível.

A autora explica ainda que esta história foi baseada em dois acidentes reais, num deles, um menino holandês de 10 anos foi o único sobrevivente. Foi o acidente com o avião da Afriaqyah Airways, em 2010.

Como li em e-book não tenho todos os detalhes da edição e da diagramação, mas adorei a capa e ela simboliza uma das cenas mais bonitas do livro.

Gostei muito da escrita da autora. Leve e fluida, mesmo abordando temas tão pesados e sofridos. É o primeiro livro dela que eu leio

Uma mensagem de otimismo, assim entendo o livro. Fica também a sugestão, aproveite a sua vida, você nunca sabe quando ela terminará.

Acabo o livro mais leve e com o coração apaziguado. Não foi uma leitura fácil, mas foi muito bom ter lido este livro. Recomendo

Sobre a autora
ANN NAPOLITANO é editora da revista literária One Story e autora dos romances A Good Hard Look e Within Arm’s Reach. Ela já deu aulas de escrita criativa em programas da Universidade de Nova York, da Brooklyn College e da escola Gotham Writers Workshop. Atualmente, Ann vive no Brooklyn, em Nova York, com o marido e dois filhos.

Querido Edward
Autor: Ann Napolitano
Ano: 2020
Páginas: 304
Editora: Paralela
Minha avaliação: 4/5
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Comentários

  1. Clauo, sempre leio resenhas positivas dele e a sua também me deixou com vontade de ler. Imagino que seja um drama daqueles de tirar o fôlego, principalmente pela agonia diante de tema tão sofrido. Beijos! Karla Samira

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