Livros para Refletir | Consciência Negra | Companhia das Letras

 

Hoje, 20 de novembro comemoramos o Dia da Consciência Negra. Escolhi quatro livros para refletirmos sobre esta data:
📖 O Avesso da pele, Jeferson Tenório - Companhia das Letras
📖 Marrom e Amarelo, Paulo Scott - Editora Alfaguara
📖 Guardei no armário, Samuel Gomes - Editora Paralela
📖 Luanda, Lisboa, Paraíso, Djaimilia Ribeiro - Companhia das Letras

Li e amei os dois primeiros, estou lendo e adorando o terceiro e o quarto está aqui, aguardando na minha fila interminável! Abaixo deixo as sinopses e os links dos livros. Você leu algum destes? Quer ler? Me conta!

O Avesso da pele
Um romance sobre identidade e as complexas relações raciais, sobre violência e negritude, O avesso da pele é uma obra contundente no panorama da nova ficção literária brasileira. O avesso da pele é a história de Pedro, que, após a morte do pai, assassinado numa desastrosa abordagem policial, sai em busca de resgatar o passado da família e refazer os caminhos paternos. Com uma narrativa sensível e por vezes brutal, Jeferson Tenório traz à superfície um país marcado pelo racismo e por um sistema educacional falido, e um denso relato sobre as relações entre pais e filhos. O que está em jogo é a vida de um homem abalado pelas inevitáveis fraturas existenciais da sua condição de negro em um país racista, um processo de dor, de acerto de contas, mas também de redenção, superação e liberdade. Com habilidade incomum para conceber e estruturar personagens e de lidar com as complexidades e pequenas tragédias das relações familiares, Jeferson Tenório se consolida como uma das vozes mais potentes e estilisticamente corajosas da literatura brasileira contemporânea.
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Marrom e Amarelo
Os irmãos Federico e Lourenço são muito diferentes. Federico, um ano mais velho, é grande, calado e carrega uma raiva latente. Lourenço é bonito, joga basquete e é “muito gente boa”. Federico é claro, “de cabelo lambido”. Lourenço é preto. Filhos de pai preto, célebre diretor-geral do instituto de perícia do Rio Grande do Sul, eles crescem sob a pressão da discriminação racial. Lourenço tenta enfrentá-la com naturalidade, e Federico se torna um incansável ativista das questões raciais. Federico, o narrador desta história, foi moldado na violência dos subúrbios de Porto Alegre. Carrega uma dor que vem da incompletude nas relações amorosas e, sobretudo, dos enfrentamentos raciais em que não conseguiu se posicionar como achava que deveria. Agora, com 49 anos, é chamado para uma comissão em Brasília, instituída pelo novo governo, para discutir o preenchimento das cotas raciais nas universidades. Em meio a debates tensos e burocracias absurdas, ele se recorda de eventos traumáticos da infância e da juventude. E as lembranças, agora, voltam para acossá-lo. Marrom e amarelo é um livro que retrata diferentes aspectos de um Brasil distópico, conflagrado, da inércia do comando político à crônica tensão racial de toda a sociedade. É um romance preciso, que nos faz mergulhar nos abismos expostos do país.
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Guardei no armário
O relato de como um jovem nascido na periferia de São Paulo superou o racismo e a homofobia para lutar pelos próprios direitos ― e de muitos outros como ele ―, acompanhado de diversas entrevistas com personalidades LGBTQIA+. Samuel Gomes teve uma infância parecida com a de vários outros meninos nascidos na periferia das grandes cidades brasileiras: dividia o quintal de sua casa com muitos parentes, estudava em uma escola do bairro e via seus pais batalharem para dar um futuro melhor a ele e à sua irmã. Porém, logo começou a perceber que era diferente daqueles que o cercavam: ele sentia atração por outros meninos. Assim, o medo de ser quem é foi um fio condutor do seu amadurecimento, ainda mais por ser negro e fazer parte de uma família extremamente evangélica. Além das várias situações de racismo e discriminação que teve que enfrentar, tinha a Igreja, que não era apenas um lugar que frequentava aos domingos com sua família, mas sim uma instância onipresente em sua vida, que ditava seu modo de vestir, de se comportar, de pensar e de viver. Foram longos anos até que pudesse entender que a vida não precisava se resumir à realidade em que nasceu, e que o que sentia não era errado nem “anormal”. Sua luta por estudo, autodescoberta e auto aceitação é narrada neste livro, junto a reflexões que ele tece sobre ser um homem negro e homossexual no Brasil. Além da história de Samuca, o livro conta com entrevistas que ele fez com personalidades LGBTQIA+ brasileiras, que abriram seus armários e compartilharam suas trajetórias para fora deles.
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Luanda, Lisboa, Paraíso
Luanda, Angola, anos 1970. Fruto de um parto com complicações graves, Aquiles nasce com uma má-formação que lhe dita o destino e o nome. A promessa de cura reside em uma cirurgia que somente pode ser realizada em Portugal, e até que ele complete quinze anos. Com o fatídico aniversário em vista, Aquiles e o pai, Cartola, partem para Lisboa, crentes de que será uma viagem passageira e de que eles serão recebidos como verdadeiros cidadãos portugueses. Na capital, sentem na pele o preconceito de serem imigrantes da ex-colônia enquanto o regresso a Angola torna-se cada vez mais distante. Autora do aclamado Esse cabelo, Djaimilia Pereira de Almeida constrói com estilo e sensibilidade ímpares uma narrativa — ora triste, ora esperançosa — sobre a diáspora, as relações entre pais e filhos e a constante busca por afeto humano.
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Comentários

  1. Oi Claudia! Excelente dicas, mais que isso, necessárias, afinal ainda não temos consciência humana, então, consciência negra e muita luta até lá.

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  2. Clauo, amei as dicas! 2 deles não conhecia e Guardei no armário entrou em minha lista há pouco tempo, depois de uma resenha contando o quanto ele é especial! Parabéns pelo post!

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