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Resenha: No Final Ficam Os Cedros | Pierre Jarawan | Editora Jangada

 

Não existe árvore mais forte que o cedro. Esta árvore é conhecida como a rainha das plantas e estampa a bandeira do Líbano. Cedro que dá nome ao título, desta trama tão forte.

Um romance de formação, bem escrito e emocionante, assim é No Final ficam os cedros, de Pierre Jarawan, lançamento da Editora Jangada, que chega às livrarias hoje.

Este livro me trouxe reflexões importantes e poderosas. Até que ponto o amor pelo pai pode nortear toda a vida do seu filho?

O livro começa com o prólogo, que corresponde aos capítulos finais e convida o leitor a voltar no tempo, guiado pela narrativa de Samir, um menino de 7 anos, curioso, inteligente, que se sente amado e protegido pelos seus pais. Ele é o filho mais velho e tem uma irmã de um ano, Alina. 

Além dos pais, que fugiram da guerra do Líbano e mudaram para a Alemanha, onde Samir nasceu, integram a família, Hakim, um "tio postiço" que também acompanhou o casal nesta mudança e sua filha Yasmin (dois anos mais velha que Samir). A mãe dela morreu no Líbano. 

A vida é tranquila, a família amorosa. O pai de Samir costumava lhe contar sobre as maravilhosas florestas de cedro. Samir adora ouvir seu pai, exímio contador de histórias. Este as reconta para Yasmin. Assim, vive sua infância e a ingenuidade própria desta fase.

Quando o garoto tinha 8 anos, após contar a sua última história, seu pai simplesmente desaparece e sua vida perde a cor e a alegria. A partir daí fica obcecado para descobrir o que aconteceu com ele. Vive em função disso.

O menino se isola, se afasta dos colegas, mostra-se arredio com a mãe e vive das lembranças do pai, dos tempos felizes, sem saber se ele está vivo ou morto, pois ele simplesmente parece ter evaporado.

É muito triste e doloroso acompanhar sua busca, por este pai idolatrado e perdido. Sua narrativa tem um ar de incredulidade, de pesadelo. Na sua introspecção o menino cresce, sem alegria e mantendo sua busca pelo pai, que parece ser o objetivo maior da sua vida.

Os primeiros capítulos são ambientados na Alemanha e da metade para frente no Líbano. Confesso que foi uma viagem muito interessante apesar de sofrida. Por coincidência tinha começado a leitura deste livro na manhã do desastre, da explosão ocorrida no país, semana passada e isto trouxe ainda mais  atenção e emoção à minha leitura.

O livro é muito interessante e diferente, não posso entrar em detalhes para não dar spoilers, mas fiquei encantada como o autor trabalhou as histórias narradas pelo pai, achei lindo este vínculo entre os dois.

É inevitável imaginar como seria a vida deste menino se seu pai não tivesse desaparecido. Após esta perda tão inexplicável, a confiança e a demonstração dos afetos ficam extremamente afetados. 

O livro mostra a jornada de Samir, em busca não apenas do pai, mas do resgate de si mesmo, da sua individualidade, do seu amor próprio, do seu afeto pelas pessoas próximas. Ele precisa sair da anestesia que o limita e viver sua vida. E neste ponto o livro se torna vigoroso e muito bonito.

"Há dois tipos de sentimentos que podem ser associados à palavra despedida: uma despedida na tristeza, pois aquilo que é deixado para trás é valioso e importante demais para ser abandonado; e uma despedida na alegria, pois aquilo que se tem diante de si possui um brilho grande que desperta não a tristeza, mas a expectativa."

A escrita de Pierre é fluida, cuidadosa e bem articulada. Gostei de aprender mais sobre o Líbano e sua intrincada política, mas acho que estas explicações são bem longas, o que pode tornar a leitura um pouco complicada ou não tão interessante para o leitor.

Também senti que os capítulos finais, da resolução da trama foram apresentados de forma bem mais rápida do os anteriores, me dando a impressão que o autor "correu" um pouco e deixou no ar algumas interpretações dos personagens. Isto não afeta a leitura, mas mostra que houve uma mudança no ritmo da trama. 

Eu achei a capa linda e muito simbólica. Edição caprichada da Jangada, ótima diagramação, boa revisão. No final da edição há um resumo da guerra civil libanesa até 1992, o que ajuda a contextualizar melhor a trama. O autor incluiu também uma bibliografia dos títulos que o inspiraram na criação deste romance.

Não foi uma leitura fácil, leve, mas foi muito boa e eu recomendo para quem quer ler um livro emocionante e bem escrito.
No Final ficam os cedros
Autor: Pierre Jarawan
Tradução: Karina Jannini
Ano: 2020 
Páginas: 440
Classificação: 4,5/5 estrelas 
Editora: Jangada 
Livro cedido em parceria com a editora
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Para comprar: Jangada | Amazon


Participam também do BEDA: Lunna Obdulio | Chris | Drica | Neto | Darlene Carol | Ale

Comentários

  1. Clauo,
    Estou ansiosíssima pra fazer essa leitura. Ela promete pelo que você nos contou!
    Beijão!
    Drica.

    ResponderExcluir
  2. Pareceu-me bem interessante, me fez lembrar um dos livros do Khalled Hosseini...As relações afetuosas familiares sempre dão bom enredos! Bjs

    ResponderExcluir

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