Resenha: Reflexos do Passado | Paola Aleksandra | Pela Janela de Casa | Planeta de Livros


Hoje trago o último conto do Projeto Pela janela de casa , da Planeta de Livros. Todos os contos deste projeto tem o mesmo tema, o enfrentamento do período de isolamento social, por conta da pandemia.

O conto é o Reflexos do passado, escrito pela querida Paola Aeksandra. Este é o meu primeiro contato com a escrita da autora, embora eu tenha tido o prazer de encontrá-la algumas vezes nos eventos da Editora Planeta. Acompanho seu trabalho há tempos, pelo seu excelente Blog Livros e Fuxicos. Paola é sempre muito atenciosa e simpática. Seu último romance está aqui na minha lista de leituras, para este ano ainda.

Este foi o conto com que eu mais me identifiquei, um dos meus preferidos!
Paola cria um universo que me é muito conhecido, a maternidade e a expectativa da chegada do bebê. 

Venho me questionando muito as dificuldades das gestantes neste momento tão difícil que vivenciamos. A gestação normalmente é uma montanha russa de sentimentos e sensações e nesta pandemia, mais ainda agora. A maternidade, momento tão sublime não pode ser compartilhada como estamos acostumados. Nada de visitas ao recém nascido nas maternidades, muitas vezes a gestante não pode nem contar com um acompanhante na sala de parto. Momentos tão intensos, tornam-se tensos. Fora o medo de contaminação de mãe e bebê recém nascido. Situações que nunca imaginaríamos, como tantas que hoje vivenciamos, infelizmente.

Cecília está sozinha em casa, na fase final da gestação. Enfermeira, aguarda o nascimento da filha longe da família que mora em outro estado, inclusive do pai da bebê. A Pandemia mudou seus planos, por causa dela os seus pais, irmã e namorado, não poderão vir para ficar com ela.

Convivendo com a solidão e com os dias passando lentamente, ela começa a se angustiar.  Até que recebe um presente muito, muito especial. Sua mãe lhe envia várias caixas de objetos que pertenceram à sua avó materna, Helena. Entre eles estão os diários dela, escritos durante a gravidez da sua mãe.

Helena era jornalista e na época da ditadura teve que abandonar o Brasil e viveu por anos asilada no Chile. O diário retrata este período, em que esteve fora do seu país, grávida e sozinha. Cecília se identifica com a história da avó e ela lhe dá a força que precisa para enfrentar este período difícil.

Achei muito interessante este paralelo entre a ditadura e a pandemia. Dois momentos que as vidas mudaram muito e no caso dos personagens, cheios de significado e coincidências (se é que elas existem, né?).

"Minha geração luta contra um inimigo poderoso, mas nossa arma não é a brutalidade e sim a informação. Quanto mais aprendemos sobre o comportamento do vírus, mais nos preparamos para combatê-lo ficando em casa."

Ao mesmo tempo que Cecília narra este "reencontro" com a história da avó, esta história linda, sensível e tão forte, este vínculo entre as duas mulheres de gerações diferentes, o vírus faz suas vítimas nas redondezas. Até onde estamos em segurança? Enquanto vidas terminam e outras começam. 

O conto é muito bonito, simbólico, forte e reflexivo. Uma mensagem de esperança. Mostra que em toda crise, se você aproveitar a oportunidade para mergulhar nas suas emoções, você pode sair dela fortalecido e muito mais consciente. 

Recomendo esta leitura inspiradora. Leia e depois me conta o que achou, vou adorar saber.

Este conto está disponível apena no formato digital, na Amazonpor apenas R$9,90.



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