Resenha: A Arte de ser leve | Leila Ferreira | Planeta de Livros


Gosto muito da escrita da Leila Ferreira e este é o seu terceiro livro que leio. Estava na minha lista há tempos, agora chegou o momento. E que momento propício. No meio do furacão, do mundo de ponta cabeça que vivemos hoje, ler sobre leveza é um privilégio e um alento.

Que sensações deliciosas este texto tão bem escrito me presenteou. Foi uma leitura saboreada, degustada e internalizada com muita atenção. Vem de encontro a um dos meus maiores propósitos, a busca pela leveza.

Num texto claro, direto e didático, como é o texto de todo bom jornalista, Leila nos brinda com um delicado tratado sobre a arte de ser leve. O livro é como uma colcha de retalhos feita de
 pensamentos entremeados com vivências, alinhavados por teorias, entrevistas e pesquisas interessantes e importantes. Segundo a autora, este livro "é apenas um caderno de anotações feitas a partir de conversas. Algumas pessoas que aparecem aqui são leves, outras ensaiam ser."

Eu adoro destacar os trechos que mais me chamam a atenção durante a leitura e este livro foi um dos campões (quase destaco o livro todo) e vou compartilhar alguns deles aqui com você.

Leila viajou para vários lugares do mundo, fazendo entrevistas, visitando pesquisadores, e como resultado traz um livro único, daqueles que você pensa que adoraria ter escrito.

Durante a leitura, me peguei balançando a cabeça e concordando com ela o tempo todo. Sim, “quando a gentileza passa a ser o caminho natural, as coisas fluem”. Tão simples e tão complexo, não é mesmo? Aprender a carregar menos tristezas, mais leveza, ser gentil, tratar-se com gentileza, são reflexões básicas e essenciais na vida de toda pessoa.

"Quando alguém for grosseiro com você, diante da tentação de dar o troco na mesma moeda, o ideal é parar e se perguntar três coisas: quero mesmo agir assim?; vou ferir ou magoar essa pessoa com a minha atitude?; vou gostar de agir dessa maneira? É essencial termos certeza de que nossa reação irá nos satisfazer não só naquele momento de raiva mas dali a duas horas, no dia seguinte ou na próxima semana."

Leila traz casos pitorescos e deliciosos como um povoado chamado Tragédia, e reflete que quem vive lá, tendo como vizinho o Ribeirão do Inferno, já nasceu personagem. É esta facilidade de se expressar e compartilhar que me encanta na escrita desta autora tão especial.

Relatos de entrevistas, de Cortella a Ruut Veenhoven, sociólogo que criou e coordena o maior banco de dados do mundo sobre felicidade, passando por pesquisadores portugueses recheiam o livro. 

Achei o máximo Terêncio, que foi um engenheiro que construiu meticulosamente a própria felicidade. Leve, divertido, um autêntico bon- vivant, ele morreu recentemente, segundo Leila. Quem chega ao cemitério para visitar seu túmulo encontra o epitáfio encomendado por ele próprio, poucos dias antes de morrer. A placa diz apenas: “Só me faltava essa!”

Adorei saber sobre a família unida, formada pelo pai, mãe e duas filhas moças, que administra uma floricultura e uma funerária. Não perdem a leveza, nem o encanto e respeito pela vida. São estes relatos, cheios de vida e emoção, que tornam este livro tão saboroso.

Reflete sobre sua experiência profissional e conta que teve um programa de TV por onde passaram mais de 1.600 entrevistados, e talvez o mais apressado (e estressado) deles tenha sido um monge com quem conversou num mosteiro budista.

Num dos relatos de pequisa, mostra que dois hábitos estão desaparecendo, "o dolce far niente" dos italianos, ou seja ficar um tempo sem fazer nada, sem mexer em celular por exemplo. E fazer uma coisa de cada vez, com toda tecnologia e pressa que temos, fazemos mil coisas ao mesmo tempo. Levanto meu olhar deste texto e vejo 20 abas abertas aqui no meu notebook...sim, é muito difícil concentrar e realizar uma tarefa por vez e tenho dificuldade gigantesca em ficar sem fazer nada.

Leila é muito franca e direta e expõe suas fragilidades, assim como sua luta e isso a faz ainda mais admirável: "O que está aqui é o trabalho de uma jornalista que conversou com muita gente sobre o tema e as reflexões de alguém que há quase trinta anos se trata de depressão e de síndrome do pânico, criou uma relação de convivência com a fluoxetina muito mais próxima do que gostaria e, mesmo assim, acredita na possibilidade de deprimidos ou não, vivermos todos (ou quase todos) com mais suavidade..."

Li a versão em e-book e achei a capa linda. Boa diagramação e revisão impecável da Planeta. Um livro delicioso e necessário para quem também pretende trazer leveza para sua vida. Amei e recomendo sem moderação esta leitura inspiradora.


A Arte de ser leve
Autor: Leila Ferreira
Ano: 2016
Páginas: 240
Editora: Planeta
E-book cedido pela editora
Minha avaliação: 5 estrelas - favoritado
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