Resenha: Qualityland | Marc-Uwe Kling | Planeta de Livros Brasil


Um livro que se torna a cada dia mais real e atual. E por isso mesmo, assustador. Qualityland, lançamento da Planeta de Livros, é um best-seller alemão,que em breve será uma série da HBO.

Uma mistura de crítica social com ironia, estilo Black Mirror. Será que estamos tão longe destes relacionamentos com robôs, algoritmos e máquinas automatizadas? Com tanta tecnologia há espaço para os sentimentos, para as relações pessoais? Onde fica o olho no olho, o calor de um abraço? Estas foram minhas principais reflexões durante a leitura.

As mulheres recebem como sobrenomes, a profissão da mãe e os homens, do pai. Eu seria Claudia Professora, a minha filha seria Letícia Psicóloga e você?

Cada pessoa recebe um androide pessoal, que conectado ao seu ouvido cuida da sua rotina. Já pensou, ter alguém que chama seu carro (que não tem motorista, pois eles andam sozinhos), escolhem o melhor restaurante, dão palpite nas amizades, monitoram seu estado geral, entre outros "benefícios"?.

Os capítulos são intercalados por três personagens principais, Peter Desempregado, Martyn Diretor e Jonh of Us. Destes personagens, o que eu mais gostei e que cresceu na trama foi Peter, um cara bacana, na dele, um cara do bem. Peter guarda um segredo, ao invés de enviar os robôs inutilizados para a prensa de sucata (que herdou do seu avô), ele oferece abrigo para estes seres estranhos e são eles que farão diferença na vida dele. A propósito, o androide pessoal de Peter chama-se Ninguém.

Martyn Diretor foi o personagem que eu menos gostei, um babaca, metido à galã, é casado com uma jovem que engravidou e agora esperam a segunda filha. O acompanhamento pré-natal e a escolha da babá perfeita, me deram arrepios, socorro! Tudo tecnológico, neste mundo é possível escolher não só qualidades melhoradas, mas saber se seu filho será um delinquente, se terá problemas com drogas entre outras novidades tecnológicas.

Jonh of Us é o candidato à presidência de Qualityland. Um androide, que disputará a eleição e para isso, conta com uma equipe de apoio peculiar. Jonh não tem papas na língua e vem para ganhar. Um personagem bem interessante e simbólico.

O livro tem humor (negro algumas vezes), ironia, referências aos anos oitenta, como episódios de Friends e Jennifer Aniston. O caso da estagiária de Bill Clinton, virou filme que faz sucesso, nas telas do país. São estas citações que me fizeram rir e tornaram o livro mais divertido.

O sistema Qualitypartner "sabe" qual é o parceiro mais adequado para cada pessoas e se você quiser trocar, tudo pode acontecer de forma fácil, sem brigas, lágrimas ou discussão. É possível solicitar um novo parceiro, classificar o seu anterior e ainda dar um bônus para ele. Prático e fácil! As maravilhas da tecnologia.

Gostei bastante desta leitura. Não foi uma leitura fluida, mesmo porque de tempos em tempos, precisava parar um pouco e refletir. Não cansava de pensar, que loucura, isso tudo está se tornando real, muito real. Foi interessante. O humor do autor me chamou a atenção, sutil e ao mesmo tempo engraçado, na medida.

A edição do livro é sensacional! Uma das mais diferentes e bacanas que vi ultimamente. Adorei a capa e ela me ganhou de cara. Observando as capas das edições em outros países, acho que a nossa é a mais bonita, original e que simboliza muito bem a mensagem do livro. Gostei das cores usadas. A diagramação é diferente e ótima.

Os finais de alguns capítulos trazem anúncios de empresas, citações de casos e matérias de acontecimentos de Qualityland e sempre um QRCode. No final deles, alguns moradores comentam estas publicações.

É um livro para adultos, tanto pela linguagem, quanto pelas piadas e situações com conteúdo sexual. No meu entender, bem colocados, não foram gratuitos. A Letícia leu primeiro e também gostou.

Impressões da Letícia
Gostei muito desta leitura, que além de ser muito diferente dos livros que costumo ler, me trouxe uma série de pensamentos sobre como lidamos com a tecnologia e para onde nossa sociedade vai evoluir em um futuro próximo. Uma mistura de Black Mirror, crítica às mídias sociais e romance. Percebemos claramente que muitas realidades do livro não estão assim tão distantes da nossa. Achei o livro bem fluido ligando assuntos independentes, bem organizado, o que acaba deixando a leitura menos cansativa. Recomendo para quem quer ter um novo ponto de vista sobre a atualidade.

Sinopse
Engraçado e emocionante na mesma medida, Qualityland traz uma visão do que nosso futuro próximo pode se tornar. Uma mistura única de humor e crítica social sombria, em que Black Mirror encontra Westworld e a obra de Douglas Adams.
Bem-vindo a Qualityland, a nação mais poderosa e desenvolvida do planeta. Tudo em Qualityland é pensado de maneira a otimizar a sua vida. Um sistema identifica seu parceiro ideal, vermes-androides em sua orelha dizem o melhor caminho a tomar no seu dia a dia, drones já sabem, só pela sua cara, que você precisa de uma cervejinha bem gelada no fim de um dia de trabalho exaustivo. Humanos, robôs e algoritmos aparentemente convivem muito bem, e tudo gira em torno do mundo corporativo,hierárquico e do dinheiro. Ao nascer, cada pessoa recebe de seus genitores um sobrenome específico, que muitas vezes acaba sendo usado como indicador de seu papel nessa linda e perfeita sociedade. Todo o resto que é preciso saber, claro, está na ficha pessoal de cada habitante de Qualityland.
No entanto, se o sistema é tão perfeito como dizem, por que existem drones com medo de voar, droides sexuais com disfunção erétil ou robôs de combate com transtorno de estresse pós-traumático? Por que em Qualityland as máquinas estão se tornando cada vez mais humanas, mas as pessoas se tornam cada vez mais máquinas?

Ficha Técnica
Título: QualityLand
Autor: Marc-Uwe Kling
Tradutor: Claudia Abeling
Ano: 2020
Páginas: 352
Classificação: 4/5 estrelas 
Livro cedido pela Editora
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Para comprar: Planeta de Livros Brasil




Comentários

  1. Oi Clauo! Amei a foto e sua resenha. A proposta do livro é realmente assustadora e interessante, muito atual mesmo! De acordo com tais regras, eu seria Karla do Lar. kkkkk! Amo livros que trazem críticas sociais e Letícia chegou chegando, heim? Lendo bastante junto com você! Por falta de influência não é, não é mesmo? Beijos! Karla Samira

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