Resenha: Aldeia dos Mortos - Adriana Viera Lomar @EditoraPatua


Hoje trago a resenha de um livro muito especial, Aldeia dos mortos, da Adriana Vieira Lomar, Editora Patuá. Recebi este livro em parceria com a Oasys Cultural. Foi uma leitura que me impactou muito.

Sinopse
Aldeia dos mortos, de Adriana Vieira Lomar, chama a atenção pela originalidade. O protagonista é um feto que percebe tudo o que se passa fora da barriga da mãe, que participa da vida familiar e dos diferentes aspectos do universo físico e existencial ao seu redor. Um feto que anda na rua, segue os passos dos personagens, tenta interferir na história, apesar de não ter ainda nascido. Alguém que carrega em si um sentido real e metafórico e se propõe a uma missão difícil. Muitas vezes o feto é tratado como ele/ela, levantando a questão da identidade sexual que nos acompanha, de algum modo, desde que somos concebidos.



Minhas impressões
Que livro bom! Favoritado! Adriana tem uma escrita linda e poética e constrói um universo cheio de intensidade e cores rústicas, nesta trama tão original e visceral.

O narrador é um feto, que volta ao passado da sua família, uma família matriarcal, de mulheres fortes, para acompanhar os desfechos e vislumbrar os porquês dos dramas familiares. Impossível, num primeiro momento não lembrar de Ian McEwan e seu livro, Enclausurado, mas o romance de Adriana vai além desta lembrança, muito além.

O feto é o ponto central de um universo rico, ao mesmo tempo cheio de vida e se vê ameaçado, lutando por ela. Uma criança que antes de vir ao mundo, tem a oportunidade de não só conhecer sua família, como o desejo de tentar mudar o passado, protegendo o futuro. Preciso me controlar para não dar spoiler, mas posso dizer que a trama é uma das mais originais que já li.

A autora conta que este livro demorou três anos para ser concluído e que ele começou como um conto. A prosa da Adriana é singular e bonita. Este é um livro sensorial e isso me agradou muito, acho que foi um dos pontos altos da leitura. As cores, os sons, o enquadramento das cenas, a luz da paisagem, os aromas e cheiros dos doces, dos pratos preparados, me deixaram deliciada e encantada. Um livro para ser lido e saboreado com todos os sentidos.

Nesta trama temos personagens fortes, vibrantes, misteriosos e peculiares. A mãe é uma figura de proteção e o pai, aparece pontualmente na trama. É uma família de mulheres fortes e sólidas. A matriarca é Dona Dorinha, a Vó do Caco, que tudo observa, que controla, faz comidas e doces maravilhosos. Vamos conhecer seus filhos, suas lutas e algumas tragédias, tudo narrado num ritmo muito especial e original. Alguns personagens eu adorei e outros incomodaram, como Bernadete, filha adotada e protegida, da Vó do Caco, que é uma peste e pode despertar sentimentos contraditórios no leitor.

Há simbolismos sutis, delicadas, referências pinceladas que mostram que ele é ambientado na época da ditadura. O livro tem ternura, tristeza, amor, vigor, ancestralidade e descendência. Eu amei o universo que a autora construiu onde não fica exatamente claro o que é sonho, o que é realidade, pois o ambiente onírico permeia toda a trama. É uma história para ser sentida, mais do que raciocinada.

A capa do livro é muito bonita e original, capta muito bem o simbolismo da trama, adorei. Edição caprichada da Patuá páginas amarelas, letras em tamanho confortável, boa gramatura das páginas. Diagramação e revisão excelentes. Cada capítulo é apresentado por um título que sintetiza o tema do mesmo.

Minha vontade foi devorar o livro, mas me peguei lendo num ritmo mais lento, degustando a leitura. Me surpreendi com a trama, voltei várias vezes em alguns capítulos e no final, abracei o livro com muito carinho. Talentosa, esta Adriana, muito talentosa! Recomendo fortemente este livro.

Logo após a minha leitura, minha amiga Karla, do Pacote Literário, também leu o livro. Não deixe também de passar no Pacote Literário e nos conte o que achou, se ficou curioso, se quer ler este livro também.

Sobre a autora
Adriana Vieira Lomar nasceu carioca por acaso, cresceu em Maceió (AL) e escolheu o Rio de Janeiro para morar há muitos anos. É integrante dos coletivos literários Os Quinze e Caneta, Lente & Pincel. Pós-graduada em Arte, pensamento e literatura contemporânea e Roteiro para TV, cinema e novas mídias pela PUC-Rio. Publicou “Carpintaria de sonhos” (poesia, edição da autora, 2006), com prefácio de Ivo Barroso, e participou das coletâneas de contos “Contágios” (Oito e Meio, 2016) e “Ninhos” (Patuá, 2017).  

Ficha Técnica
Título: Aldeia dos mortos
Autora: 
Adriana Vieira Lomar
Ano: 2020
Páginas: 
196

Editora: Patuá
Classificação: 5/5 estrelas - favoritado
Livro cedido pela Oasys Cultural

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Comentários

  1. Oi Clauo! Lindíssima sua resenha, eu também me peguei saboreando a trama devagar, amei os títulos dos capítulos e adorei os personagens do tempo antigo. Um livro muito diferente e original, fiquei encantada. Beijos! Karla Samira

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