Rsenha: Sérgio Y Vai À América - Alexandre Vidal Porto @CompanhiaDasLetras


Hoje eu quero contar para vocês as minhas impressões sobre o livro Sérgio Y Vai À América, de Alexandre Vidal Porto, da Companhia das Letras.
Alguns livros eu tenho certeza que vou adorar, antes mesmo da leitura. Isso já aconteceu com você? Eu sabia que esta história seria ótima! Como? Porque eu li outro livro do Alexandre, Cloro (releia a resenha aqui) e na época pensei, preciso ler tudo o que ele escreve, que escrita boa!

Mês passado a nossa parceira querida, Companhia das Letras, disponibilizou e-books gratuitos, como uma forma de ajudar os leitores no enfrentamento da quarentena e quando bati os olhos na lista, este saltou de primeira e foi o primeiro escolhido, claro. A leitura não me decepcionou, muito pelo contrário, só confirmei o talento deste autor, que desenvolveu uma história forte e emocionante. Encontrei algumas semelhanças nos dois livros. Ambos são rápidos, a leitura é fluida e as tramas são originais e sensacionais.

O livro conta a historia de Armando, um psiquiatra que mesmo aos 70 anos, continua trabalhando, atendendo em terapia alguns pacientes em seu consultório. No início da trama, recebe por Sérgio, um jovem centrado e consciente que traz uma questão importante para a terapia, não consegue ser feliz. Sérgio ao descrever sua família e as relações com seus antepassados, mostra que mantem bom relacionamento com eles e que se inspira na trajetória do avô paterno, que veio para o Brasil em busca de novas oportunidades de vida e de sucesso.  Após um ano de terapia, Sérgio vai à Nova York de férias e na volta suspende a terapia. 


"...Mas esta velhice aparente precoce é comum entre os psiquiatras. Absorvemos os problemas dos pacientes. Envelhecemos por eles."

"Sempre que um paciente me abandonou, senti uma infelicidade profunda: infantil e injustificável. Algo semelhante à impotência que sente uma criança ao descobrir que seu brinquedo favorito foi quebrado por outra criança mais nova, sem que nada se possa fazer a respeito."

Temos duas questões importantes nesta leitura, a questão do tratamento em sim, o quanto Armando precisa reavaliar suas posturas, confiança e suas condutas e o desenrolar da trajetória de Sérgio. Não vou entrar em detalhes para não correr o risco de dar nenhum spoiler, mas posso dizer que me questionei o que faria se estivesse no lugar do psiquiatra. Ao se despedir da vaidade e do que julga a excelência em seu trabalho, o psiquiatra aprende que não sabe tudo da vida profissional e que ainda pode não só aprender, como se surpreender, se conhecer melhor naquela altura da vida. 

A trama é sensível, interessante, reflexiva e muito bem escrita. Assim como no seu livro Cloro, a sexualidade é uma questão importante na trama e muito bem trabalhada. Relações familiares, vínculos afetivos, expectativas dos pais com relação aos filhos, também são muito bem abordados no livro e geram reflexões interessantes.

Li a versão em e-book. Gostou muito do título e da capa do livro, que remete à uma cena da trama. Achei muito interessante a forma como ao autor escolhe os títulos dos capítulos, alguns são frases escritas na primeira pessoas pelo Dr Armando, que é o narrador do livro também. 

A escrita do autor é elegante, refinada e muito boa. Alexandre constrói um universo com detalhes interessantes e que fazem sentido no decorrer da leitura. Não consegui largar o livro até o seu final. Bom, muito bom. Vou aguardar com expectativa novos livros do Alexandre.


Sobre o autor
Alexandre Vidal Porto nasceu em São Paulo, em 1965. Diplomata e mestre em direito pela Universidade Harvard, é colunista do jornal Folha de S.Paulo e autor de Matias na cidade (2005) e Cloro (2018)

Ficha Técnica Título: Sérgio Y Vai À América Autor: Alexandre Vidal Porto Ano: 2014 Páginas: 184 Classificação: 5/5 estrelas Editora: Companhia das Letras E-book cedido pela editora Adicione no Skoob Para comprar: Companhia das Letras



Comentários

  1. Achei bem diferente a proposta do livro. Realmente não é um passo fácil deixar ou abandonar a terapia e eu gostei da forma como você pontuou isso na resenha. Achei interessante ser logo após a volta das férias e fiquei curiosa para saber o que o motivou. Não conheço a escrita do autor e já quero ler. Beijos!

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