Eu Li: Dois Cigarros

Eu Li: Última parada: Auschwitz

Olá!
A resenha de hoje é do livro Última parada: Auschwitz, escrito por 
Eddy de Wind, da nossa parceira Planeta de livros.

Sinopse
Eddy de Wind chega a Auschwitz em 1943 com sua esposa, Friedel. Ele é médico e ela é enfermeira. Lá, eles são separados. Friedel vai para o Bloco 10, onde ficam os prisioneiros destinados aos cruéis experimentos médicos do Dr. Mengele. Eddy vai para o Bloco 9, onde trabalha ajudando a cuidar de prisioneiros políticos. Quando a Alemanha está prestes a perder a guerra e os russos se aproximam de Auschwitz, os nazistas fogem do campo. Em uma tentativa de cobrir seus rastros, mandam os prisioneiros sobreviventes, entre eles Friedel, a caminhar em direção à Alemanha. Mais tarde, essas caminhadas foram chamadas de Marchas da Morte. Eddy conseguiu se esconder e ficou no campo, a espera dos russos. Lá, com a memória fresca, começou a escrever sua rotina diária. Descreveu em detalhes as atrocidades que presenciou e o que ouviu de outros prisioneiros, inclusive da mulher. Até hoje, este é o único livro inteiramente escrito dentro do campo de concentração.
Em primeira mão, recebi este livro emocionante, assim que ele chegou da gráfica. Você também gosta de livros sobre a guerra, sobre o holocausto? Eu amo!
Quando soube deste lançamento da nossa parceira, Planeta de Livros, por ocasião dos 75 anos de liberação do campo de Auschwitz fiquei louca para conferir esta leitura. Este é o único livro escrito dentro do campo de concentração. O livro foi escrito pelo médico judeu Eddy de Wind e traz um testemunho arrepiante das atrocidades cometidas no campo de extermínio.

Claro que furou a fila e no mesmo dia comecei a leitura. Toda leitura sobre o holocausto é uma leitura difícil, difícil no sentido de ser muito dolorosa, triste e real. Gera no leitor sentimentos de incredulidade, de inconformismo, pelo menos comigo é assim.

Finalizei este livro e agora trago minha impressões para vocês. Confesso que estranhei um bocado a linguagem e o ritmo do livro, ele difere de outros livros que li sobre esta temática. A começar do narrador, Hans. Eddy cria um personagem, segundo o prefácio, para conseguir lidar com sua história, me parece que ele precisou deste narrador em terceira pessoa, para conseguir contar fatos tão dolorosos. Apesar de ter uma linearidade, em vários casos narrados Hans não entra em detalhes sobre os personagens, narra as atrocidades, desaparecimentos, observando com incredulidade e temor tais fatos.

Mostra no desenrolar do livro sua luta e a da sua esposa Friedel, pela sobrevivência, para suportar aos horrores do campo de concentração, seu trabalho como médico, sem recursos, com tanto a fazer, tantos doentes sem recursos.

Me chamou a atenção os escambos, "roubos" e propinas que aconteciam dentro de Auschwitz, bem como os ambientes completamente insalubres e desumanos. É inevitável questionar como alguns conseguiram sobreviver.

Vários detalhes me chamaram a atenção nesta leitura e destaco aqui aqueles que, na minha opinião, fizeram deste, um livro único. O principal é que, até onde se sabe, este foi o único livro escrito dentro de Auschwitz ( e ele foi lançado na data de 75 anos de libertação do campo de extermínio).

As fotos do caderno que Eddy usou para relatar a história e guardar suas impressões estão no livro também. Eddy foi o último judeu a se graduar em medicina, pela Universidade de Leipen, na Holanda, no comecinho da guerra. Asforma muito interessantes. As impressões de Eddy sobre seu trabalho como médico judeu no campo de concentração são muito interessantes e intensas. Assim como as de sua primeira esposa, Friedel, enfermeira, que acompanhou (pelo que entendi não fez parte) as experiências de Dr. Mengele e outros médicos alemães, com mulheres judias.
A linguagem de Eddy não é muito fluida, acredito que por ser entremeada de dor e sofrimento. O livro foi traduzido direto do holandês, a editora explica que o tom da escrita é poético e eu estranhei um pouco a falta de detalhes nos relatos e na continuidade dos acontecimentos. Talvez isso seja resultado das impressões reais dos dramas vivenciados e por não se tratar de uma história romanceada.

A capa é muito bonita. edição muito caprichada da Planeta. Páginas amarelas, letras em tamanho confortável, ótima revisão e diagramação. Gostei muito das fotos do arquivo pessoal do autor, que acrescentam um importante material para ilustrar este texto tão forte e real.
O final do livro é sofrido e mostra que as escolhas individuais e pessoais, vão determinar nosso futuro. Não posso contar para vocês, para dar nenhum spoiler, mas confesso que tive que reler as últimas páginas várias vezes, para entender o que sutilmente o autor nos conta. Esta é uma leitura importante e necessária, apesar de extremamente triste. Recomendo.

No decorrer do ano, teremos outros lançamentos já anunciados pela Planeta, nesta temática. Neste post comentei sobre eles. Pretendo ler todos e trarei minhas impressões para vocês. Aguardem.


Última parada Auschwitz
Autor: Eddy de Wind
Ano: 2020
Páginas: 240
Editora: Planeta
Livro cedido pela editora
Minha avaliação: 5 estrelas
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