O Cozinheiro de Bangu - #12livrospara2020 - Fevereiro

Olá!
Hoje trago para vocês a resenha do livro O Cozinheiro de Bangu, de Wagner Fontoura, da Nau Editora .
Escolhi este livro para ser o livro de fevereiro da nossa TAG #12livrospara2020. Esta TAG é uma parceria com os blog Mundinho da Hanna e Pacote LiterárioNão deixe de passar nos blogs das meninas para conferirem suas postagens! Se você quiser relembrar as postagens do ano passado, clique aquiTodo dia 12 posto a resenha de um livro que está na minha biblioteca aguardando a leitura.
Sinopse 
É grande a tentação de apresentar este livro afirmando que o herói da história é um homem comum, um mineiro de meia-idade que morava na cidade de São Paulo, empresário e pai de família dedicado, que levava uma rotina normal entre a casa e o trabalho, até que uma notícia inesperada produz um abalo sísmico em sua vida. Só que em O cozinheiro de Bangu, a subversão do clichê já começa quando conhecemos José, um homem nem tão comum assim: executivo bem-sucedido/falido/novamente bem-sucedido, atualmente em crise, suicida malogrado, diagnosticado e medicado como bipolar, pai superprotetor dos filhos que teve com a ex- mulher, cozinha como quem faz amor e acaba de assumir um casamento gay com Arthur, seu sócio no novo empreendimento. Mas não é por não se encaixar nos padrões sociais tradicionais que José conseguiria se livrar do evento inimaginável que é o motor de toda história que vale a pena ser contada, a tal notícia inesperada que, num belo e terrível dia, chega para todos. No caso de José, chegou numa sexta-feira, no horário do almoço, e produziu um desvio na linha da sua vida que fez com que se embrenhasse num território desconhecido, uma verdadeira realidade paralela. E agora?
Recebi este livro da Nau Editora para ler e antes da leitura acompanhei seu lançamento nas redes sociais. Desde então sigo O Cozinheiro de Bangu no Instagram. Se você leu a sinopse acima, aposto que ficou tão curioso quanto eu para ler este livro. Gosto de tramas que se passam em penitenciárias e prisões e a sinopse de cara me chamou a atenção. A leitura não me decepcionou, foi muito interessante e diferente!

José é pai de dois rapazes, Gael e Luca. Gael é pego com um tijolo de maconha, num ônibus à caminho de Minas. Começa o pesadelo da detenção. José passa a questionar seu papel de pai, sua responsabilidade. Foi casado com Denise por muitos anos, mãe dos seus filhos,
têm um relacionamento amigável. Agora é casado com Arthur, um rapaz mais jovem e com grande talento para informática, são sócios de uma empresa. Ambos têm diagnóstico de bipolaridade, com controle médico. Mantem um relacionamento cheio de afeto e parceria, mas ao longo da trama, percebemos que este relacionamento mantem a possibilidade de abertura para novos desejos.

A aflição e o impasse, a expectativa de cada visita na prisão, os entraves do processo, as angústias e consequências de um ato impensado e irresponsável, são bem trabalhados aqui.

Gael é diabético, insulinodependente e dependente químico, ao mesmo tempo é ingênuo, carinhoso com a família e parece um tanto quanto perdido, imaturo para sua idade, ao contrário do seu irmão Luca, centrado e o ponto de equilíbrio da família. Todo processo de prisão, torna-se uma forma de reaproximação principalmente com o pai. A (re)descoberta do afeto, da cumplicidade enfim, o amadurecimento do amor.

Um dos pontos altos do livro, que eu mais adorei, é o talento gastronômico do nosso personagem principal. A comida aqui assume seu caráter afetivo, é uma das formas que José encontra para demonstrar afetivo e amor pelo filho. Aliás não só pelo filho, mas pelos outros pais e filhos que compartilham, através da partilha da comida, atenção, força e solidariedade. Além da questão simbólica, a forma como José explica como preparou cada prato, me deixou com água na boca e alguns vou testar por aqui também. Uma curiosidade, a editora e o autor, como parte do lançamento do livro, realizaram uma aula exclusiva com o próprio Wagner, para que os leitores pudessem aprender as receitas do livro. Tomara que tenham outros eventos assim, porque eu achei a idéia fantástica.

Achei a capa linda, retrata a imagem base do livro, as visitas de José ao filho, na cadeia. Ela tem um quê de melancolia, de solidão e ao mesmo tempo de afeto. José sempre carregava as sacolas com o "jumbo", as comidas que fazia para seu filho Gael. A arte da capa e as ilustrações do miolo, muito bonitas, são de Cheo González. A edição da Nau Editora é linda, muito caprichada. O livro é dividido em três partes, as páginas são amarelas, letras em tamanho confortável, ótima diagramação, revisão perfeita. Dá gosto ler um livro com uma edição tão caprichada assim.
O livro me deixou muito reflexiva. Penso até que ponto nos colocamos em situações de risco, às vezes sem necessidade, priorizando desejos e sem pensar nas consequências. Não vou entrar em detalhes, para não correr o risco de dar nenhum spoiler, mas se você leu ou ler o livro vai entender (e aí vem conversar comigo, eu vou adorar trocar idéias com você). Preciso dizer ainda que quase morri no último capítulo! Wagner, você quase me mata de ansiedade. Foi tão eletrizante que eu queria acabar logo, para saber qual seria o desfecho e ao mesmo tempo, estava morrendo de medo de tudo dar errado e ver um final trágico. Adorei! Super recomendo esta leitura diferente e inspiradora.
Sobre o autor
Mineiro radicado em São Paulo, Wagner Fontoura é publicitário, sócio-fundador da Coworkers, agência de social media marketing pioneira no Brasil. Antes de aventurar-se na escrita literária, colaborou com artigos nas publicações colaborativas “Do broadcast ao socialcast” e “Para entender a Internet”.
O Cozinheiro de Bangu
Autor: Wagner Fontoura
Ano: 2019
Páginas: 296
Editora: Nau Editora
Livro cedido pela autora
Minha avaliação: 5/5
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Comentários

  1. Que interessante esse livro. Confesso que, olhando a capa, pensei numa trama completamente diferente... bem que sei diz: nunca julgue um livro pela capa... rs
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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  2. Oi Clauo! Você comentou comigo sobre esse livro e passei a seguir o autor no Instagram, tenho achado bem interessante! Fiquei curiosa para saber toda a história e, claro, para fazer as receitas e espero ler em breve. Beijos! Karla Samira

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