Eu Li: Trilhas


Olá queridos leitores
A resenha de hoje é do livro Trilhas, escrito por Robyn Davidson, da nossa parceira Seoman - Grupo Editorial Pensamento.


Sinopse
Esta é a arriscada jornada de Robyn Davidson, uma mulher de 27 anos, pelo hostil deserto australiano, tendo apenas como companhia quatro camelos e sua cadela de estimação. Perseverar sob o calor sufocante, defender-se de cobras venenosas e homens lascivos, perseguir os camelos em suas fugas e cuidar deles quando feridos, Robyn surge como uma heroína extraordinariamente corajosa. Trilhas é a eloquente e sincera história de sua odisseia de descoberta e transformação.
Quando soube da sinopse deste livro, fiquei muito curiosa para ler, pois ele é ambientado na Austrália, onde minha filha, Letícia mora atualmente. Num primeiro momento a idéia foi fazer uma leitura compartilhada com ela, mas infelizmente o projeto não teve aval e então li sozinha, comentando com ela algumas passagens. Eu imaginei que fosse descrever vários lugares da Austrália, seus costumes e dados sobre os habitantes, mas a autora foca no tema do deserto e sobre sua vivência nesta jornada intensa e incrível.

Conversei com a Letícia sobre os aborígenas, que ainda nos dias atuais são discriminados e vistos como pessoas "perigosas". Robyn conta que em 1977 quando sua viagem acontece esta fama já existia. Eram considerados encrenqueiros e selvagens. Outra questão delicada foi o papel da mulher, principalmente da mulher que viaja sozinha naquelas paisagens e naquela época.

Considero esta uma leitura diferente, que me despertou sensações estranhas como uma exaustão e uma dificuldade em me colocar no lugar da autora. Ao mesmo tempo foi bonito acompanhar o despertar da força interna da autora, durante sua longa caminhada.

Seu texto é cheio de detalhes da travessia, Robyn começa o livro contando que  ninguém acreditava no seu projeto (e acho que talvez nem ela, no começo), pois ela não tinha a menor experiência com camelos e com sobrevivência em travessias longas no deserto.

Difícil imaginar uma mulher sozinha atravessando enormes áreas sem nenhuma outra presença humana, na companhia de quatro camelos e sua cachorra de estimação. Sujeita a perigos como cobras, escorpiões e outros predadores. Estas passagens  foram as que me despertaram mais estranhamento e aflição. Aliás foi uma das leituras que mais me trouxe a tona sentimentos contraditórios, às vezes eu a achava tão corajosa e outras muito ingênua ou fora da realidade.

"Ao contrário da crença popular, o deserto é fértil e apresenta vida em abundância nas estações favoráveis. è como um vasto jardim comunitário do qual ninguém cuida, a coisa mais próxima do paraíso na terra que posso imaginar."

No decorrer da caminhada simbolicamente Robyn vai se despindo  de convenções, conectando-se com sua essência e este é o aspecto transformador do seu livro, é aí que a beleza se manifesta neste relato verdadeiro e ao mesmo tempo inacreditável.

A autora fala da dificuldade em lidar com as pessoas, sobre  sua resistência em aceitar o fato de ter tido um apoio financeiro de uma mídia para realizar o projeto. Aborda ainda seu estranhamento quando descobre que a imprensa a transformou numa heroína e de como pode ser difícil lidar com isso.
O amor pelos seus animais, a cumplicidade de uma convivência tão íntima e poderosa dão um tom muito bonito ao seu relato. Momentos tristes são revelados com muita emoção e me fizeram sentir além de simpatia, uma proximidade um pouco maior com a autora. Não posso dar detalhes, pois corro risco de dar um spoiler para vocês. Participação especial no livro, sua cachorra Digity, que a acompanha na travessia.

"...me parece que o bom Deus em sua infinita sabedoria nos deu três coisas para tornar nossa vida suportável: a esperança, as piadas e os cachorros, mas a maior delas é o cachorro". 

Achei a capa linda e imagino que ela seja do filme homônimo (que ainda não assisti, mas quero conferir). Boa diagramação da Seoman. Letras em tamanho confortável, páginas amarelas. A leitura foi intensa e não tão fluida como imaginei que seria. Talvez um dos motivos para isto seja o pouco espaçamento entre os capítulos (não curti muito esta parte). Adorei as fotos que se encontram nas páginas finais do livro. O livro prendeu minha atenção. Recomendo esta leitura principalmente para quem gosta de aventuras radicais e busca pelo auto-conhecimento. 
Sobre a autora
ROBYN DAVIDSON nasceu em uma fazenda de criação de gado em Queensland. Ela mudou-se para Sydney no fim dos anos 1960, e retornou para estudar em Brisbane antes de partir para Alice Springs, onde os eventos deste livro se iniciaram. Desde então, ela viajou constantemente, vivendo entre Londres, Nova York e Índia. No início dos anos 1990, ela migrou para o noroeste da Índia, junto com nômades, para escrever sobre eles. Atualmente mora em Melbourne, mas também passa vários meses do ano nos Himalaias Indianos.

Trilhas
Autora: Robyn Davidson
Ano: 2015
Páginas: 248
Editora: Seoman
Livro cedido pela editora
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