Entrevista com a Autora Cristiane Tavares


Olá!! 
Hoje é dia de entrevista aqui no blog. Minha convidada é a autora Cristiane Tavares, autora do livro infanto-juvenil 
Uma rua chamada Avinyó, da Chiado Books, selo Chiado Kids. Admiro muito o lindo trabalho da Cris, sua gentileza e alto astral. Vamos conhecer um pouco sobre o trabalho desta autora talentosa e querida?

1- Olá Cristiane, por favor, apresente-se para nossos leitores.
Acredito que a palavra que melhor me definiria é “História”. Na minha memória de infância, nos “causos” que ouvia da minha avó mineira, no jeito único que meu pai contava histórias de aviação, na ternura das histórias que minha mãe contava sobre sua infância com cheiro de café coado. Então, cresci criando, transformando, combinando palavras e situações para que qualquer assunto tivesse um detalhe, um brilho, uma vontade de ler e de ouvir. Quando meu filho nasceu, saíram tantas histórias do meu coração que senti necessidade de publicá-las e compartilhá-las. Assim nasceram “O Pintor de Bichos”, “Um Peixinho Chamado João”, “Madrugaldo, o Galo que quase virou
caldo” e muitas outras. Algumas disponibilizo no historinhas pra contarEm 2018, nasceu “Uma Rua Chamada Avinyó”.

2- Uma rua chamada Avinyó, editado pela Chiado, é o seu segundo livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo?
Essa é uma história real, de uma mãe e um filho, de encontros e despedidas, de abraços e afetos. Uma história de chegadas e partidas, sobre não querer que uma coisa boa termine. É uma história para crianças e que tem emocionado adultos também. A história, de fato, nasceu nessa singela rua da cidade de Barcelona, que foi cenário de um dos encontros com meu filho.

3- O seu trabalho como pedagoga influencia a sua escrita? Como é esta relação?
Influencia, diretamente. Sou uma criadora de projetos pedagógicos. Eles são planejados sempre a partir de um livro de literatura que me arrebatou. Assim, quando o projeto inicia seu percurso com os alunos, vou acompanhando, encantada, ora surpreendida, ora emocionada, tudo que vai sendo construído pelas crianças a partir das histórias selecionadas. Então, minha escrita é costurada também com meus registros afetivos e as reações das crianças. Aquilo do que elas gostaram, o que as incomodou, surpreendeu, transformou. É uma riqueza poder trabalhar com crianças no dia a dia e escrever para elas!

4- Como foi trabalhar com a Bruna Brasil, que ilustrou seu livro? Conte um pouco sobre esta parceria.
Bruna Assis Brasil é uma ilustradora que tem o maior coração do mundo! Essa área de escritores iniciantes é tão solitária e, de certa forma, intimidante. A editora não conhece você, você é uma aposta pouco possível em um mercado competitivo e em crise. Então, o primeiro contato com a Bruna foi como fã. Eu tinha adotado o livro “Malala” - ilustrado por ela, da Editora Companhia das Letrinhas, escrito pela Adriana Carranca - no projeto sobre refugiados que realizei em 2018. E ela disse “sim” de cara, de primeira. Sem me conhecer, morando em Curitiba e eu no Rio de Janeiro. Sem olho no olho. Somente através da minha escrita. Ela foi de uma generosidade única e me encheu de atenção e carinho. É uma honra a rua Avinyó ter sido ilustrado por ela! Queremos trabalhar juntas novamente!

5- Como é o processo de criação dos seus livros? Você tem uma rotina de escrita? Você se dedica exclusivamente ao seu trabalho como escritora?
Meu processo de escrita percorre, na maioria das vezes, dois ou três caminhos. Às vezes, uma frase me contagia e eu construo toda a narrativa em torno dela. Por exemplo, minha irmã mais velha, que adora contar histórias também, me dizia que os domingos de sua infância eram de magia, pois ela ia de bonde até um bairro chamado Santa Teresa, aqui no Rio de Janeiro. Ela tinha certeza, no percurso, sentadinha no bonde e subindo a montanha, de que estava andando sobre as nuvens! Tem imagem mais linda do que sentir o vento e andar sobre as nuvens? Virou uma historinha! Às vezes, a história vem toda quando sai do meu coração, como a Avinyó. Eu precisava sentar e escrever. Estava com o coração transbordando de emoção. Aí a história vem toda, quase que sem pensar, vem pronta, vem viva! Gosto de trabalhar pelas manhãs. Preciso do café coado. Preciso dos sentidos aguçados.

6- Como é o seu contato com os leitores?
Como sempre trabalhei em escolas, como professora e, mais tarde, como coordenadora, os leitores sempre estiveram muito perto. Escrevi, durante alguns anos, textos de teatro infantil e tinha um grupo com amigas professoras, chamado Faz e Acontece. Então, era escrever, ensaiar e entender a reação das crianças. O que funcionava ou não. Nas salas de aula por onde passei, e por infinitas vezes que contei histórias minhas e de outros autores. Me apresentei no programa de televisão “ABZ do Ziraldo”, contando duas de minhas histórias, “Madrugaldo, o galo que quase virou caldo” e “O Pintor de Bichos”. Nos lançamentos dos livros, também nado de braçadas, conversando e me emocionando com os olhinhos dos leitores quando eles ganham dedicatória e autógrafo, iniciando uma aventura com uma historinha nova, saindo do forno!

7- Você escuta músicas quando escreve? Se fosse montar uma playlist para Uma rua chamada Avinyó, qual seria?
Eu não escuto música quando escrevo. Gosto de silêncio. Mas como meu marido é o maior entendedor de música que conheço, a casa é sempre cheia de música da melhor qualidade. Então, durante a escrita, eu escuto minha própria voz, fico repetindo o ritmo das frases, e tento ouvir como uma criança leria aquilo que faz tanto sentido para mim. Quando termino a história, aí sim, me apaixono pela playlist que ele fez! Tem sempre novidades que ele me apresenta e Beatles e Rolling Stones!

8- Você pretende escrever outros gêneros literários também?  Conte sobre projetos em andamento e/ou futuros.
Gosto de pensar que sim. Eu tenho algum material de poesia. Quem sabe? Nesse momento, um grande caminho se abriu a partir da Avinyó. Por conta de começar a aparecer nas redes, no começo ainda de forma tímida, fui procurada pela historinhas pra contar, que é um espaço incrível de histórias no Instagram e que tem me surpreendido com seu projeto de acolher escritores e ilustradores, criando espaços e atingindo um público aberto à proposta. O livro físico chega a bem menos leitores e perceber, e sentir, as histórias viajando tão longe e atingindo tantas crianças, é absolutamente incrível! Acho possível, e que bom, abrir espaços para que haja uma convivência com a história física e virtual. Para mim, qualquer janela que se abra é mais uma
possibilidade de se encontrar com o leitor.

9- Fale um pouco sobre seu outro livro, O Pintor dos bichos.
“O Pintor de Bichos” é um texto criado a partir das minhas memórias de infância. De caminhar pela cidade de minha mãe, chamada Fama, de sentir cheiros, de tomar leite na fazenda, de ouvir os animais. É um texto sobre pureza com cheiro de capim molhado. Ele já foi publicado e lançado nos anos 1990. É um grande projeto que agora retomei com o ilustrador do livro original, Cadu, que também é meu sobrinho, e que vai acontecer ainda esse ano! É um projeto familiar.

Papo rápido
Um livro: “Adivinha quanto eu te amo”, de Sam Mcbratney e “Carta a D”, de André Gorz.
Um filme: “Livre”, baseado no livro de Cheryl Strayed
Um escritor/escritora: Ondjaki e Evelyn DeWolfe
Um ator/atriz: Claudia Ventura
Um personagem: Shaun,  o Carneiro
Um desejo: Publicar muitos livros
Gosto de: Viajar para Barcelona
Uma frase: Si sales ileso de um libro, es que nunca has entrado.

Espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu desta entrevista. Vamos acompanhar o trabalho lindo da Cristiane? Volto logo com a resenha do livro e com mais surpresas para vocês. Abaixo compartilho as redes sociais da Cris.


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Comentários

  1. Oie, Clauo. Que fofura a capa desse livro e deve ser muito emocionante e mais ainda por ser uma história real.
    Gostei de conhecer um pouco mais da autora. Parabéns pela entrevista.

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    1. Obrigada querida. Também adorei a entrevista. O trabalho da Cris é lindo!
      Bjs

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  2. Gostei de conhecer a escritora. Que livro bonitinho, com certeza fará muito sucesso com o público infantil e há muito carinho na história por ser uma obra de sua infância. Perfeito!!!

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    1. Obrigada, Gustavo!
      Sim, há muito carinho e o livro é muito especial
      Beijos, querido

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  3. Parabéns à Cris pelos belos livros, pela entrevista. Que venham mais livros lindos como ela!

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  4. Uma entrevista muito prazerosa de se ler! Cristiane se expressa de forma espontânea e sincera! Desperta no leitor a curiosidade para se aventurar em Avinyó!

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  5. Cris é uma pessoa muito querida e sensível, não poderia escrever um livro que não transmitisse sua doçura e amor pelo que faz.Parabéns!

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