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Eu Li: O Livro de Jô, Uma Autobiografia Desautorizada - Volume 2

Olá!
Hoje trago a resenha do livro O Livro de Jô -  uma autobiografia desautorizada - volume 2, de Jô Soares e Matinas Suzuki Jr, lançamento da nossa parceira, a Editora Companhia das Letras.


Sinopse
Jô Soares representou mais de duzentos personagens humorísticos e criou dezenas de bordões que entraram para o repertório da língua portuguesa do Brasil. No seu programa de entrevistas — que durou 28 anos — fez cerca de 14 mil entrevistas. Fez oito espetáculos solos em longas temporadas, dois deles apresentando também em Portugal. Dirigiu 24 peças de teatro e fez dez peças como ator. Escreveu oito livros (incluindo este) que já venderam (excluindo este) 1,5 milhão de exemplares no mercado brasileiro, tendo sido traduzidos em vários países, entre eles Estados Unidos, França, Itália, Japão e Argentina. No volume 2 desta autobiografia desautorizada, revela como chegou a distribuir hóstias ao lado de Dom Hélder Câmara, sua vida de motoqueiro encerrada com dois acidentes, o processo que sofreu durante o período da presidência do general Emílio Garrastazu Médici (e como foi absolvido com um testemunho do poeta Carlos Drummond de Andrade), a saída para o SBT no auge do sucesso na Globo, os casamentos, a perda do filho Rafael, além de sua admiração profunda por figuras — gordas — como Orson Welles e Winston Churchill. Mas, mais do que tudo, o leitor se deliciará novamente com as histórias dele e dos outros, contadas com o melhor da verve de Jô Soares.

Minhas impressões
Sempre fui fã de Jô Soares e acompanho com interesse sua carreira. Considero Jô um dos homens mais inteligentes que conheço e por isso fiquei muito curiosa para ler este lançamento. Foi um mergulho na história da cultura brasileira, principalmente da TV nacional.

Embora este seja o segundo volume do livro, ele é escrito de forma independente do primeiro. Jô faz algumas referências da edição anterior, o que me deixou com mais vontade ainda de ler a primeira parte (já está na minha lista!).

Ao ler este livro, tive a impressão de estar sentada ao lado de Jô (lá no programa Jô Onze e meia), ouvindo suas histórias e suas contextualizações de momentos tão ricos da nossa cultura. Ele tem uma facilidade imensa em contar suas histórias, tanto é que eu simplesmente devorei este livro. Não conseguia largá-lo e qualquer brechinha do tempo, lá estava eu, com o livro nas mãos.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção é que a narrativa não é totalmente linear, Jô vai e volta, conforme suas lembranças e os personagens narrados. Um assunto faz link no outro. Isso trouxe um ritmo mais ágil para a leitura, deixando-a ainda mais interessante e envolvente.

Jô é um grande contador de histórias e elas são muito variadas. Ele passeia por temas áridos, por momentos engraçados, tensos com maestria. Conta sobre sua parceria com Luiz Schwarcz e a Companhia das Letras, sobre seus livros, peças teatrais e programas de rádio.

Foi muito gostoso rememorar os bordões, os personagens dos programas do Jô, além de conhecer mais sobre personalidades que admiro até hoje e sobre grandes profissionais do mundo artístico. 

Jô aborda temas delicados como pressão em diversos momentos políticos, conta sobre a morte do seu único filho Rafael. Mostra que o YOUTUBE hoje é nossa grande memória e é possível acompanhar suas entrevistas e programas por lá também (quero rever alguns deles ainda). Dá pinceladas sobre seus casamentos e namoros. Conta ainda passagens interessantes e tensas, como o episódio em que joga no lago do Parque do Ibirapuera duas malas cheias de livros que poderiam ser considerados subversivos, na época da ditadura.

O livro é delicioso, agradará não só aos mais velhos, que assistiram os eventos contados pelo autor, como aos mais novos, pois é um excelente mergulho na vida brasileira dos últimos 60 anos, pelo menos. Leiam! Recomendo muito esta leitura. Depois me contem o que acharam, eu vou adorar saber.

Termino esta leitura com uma sensação boa de nostalgia, um retorno ao passado, mas com inspiração para o presente e para o futuro. Inspiração que vem deste fantástico artista que segue aos 80 anos produtivo, lúcido e atuante.

"...mas a plateia tem um outro significado pra mim. Dediquei minha vida a fazer a vida dos outros um pouquinho mais alegre. Talvez devesse contabilizar o meu patrimônio em sorrisos" (página 310)

Sobre o livro
Achei a capa incrível e adorei a combinação de cores. A diagramação é ótima, páginas amarelas, letras em tamanho confortável, bom espaçamento, revisão impecável. Como toda boa biografia, o livro é recheado de fotos interessantes (esta é uma das coisas que mais gosto nas biografias, as fotos). Companhia das Letras arrasou nesta primorosa edição.

O Livro de Jô, Uma Autobiografia Desautorizada - Volume 2
Autor: Jô Soares e Matinas Suzuki Jr
Ano: 2018
Páginas: 384
Editora: Companhia das Letras
Livro cedido pela editora
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Comentários

  1. Eu sou um pouco devagar com biografias. Já li algumas, mas não é uma leitura que para mim dê para ler sempre.
    Mas achei interessante essa justamente pela parte ser uma leitura mais ágil, isso é ótimo em uma biografia.
    Também considero o Jô um dos homens mais inteligentes, sua autobiografia deve ser incrível.

    bjs

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