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Entrevista com a escritora Maura Palumbo

Olá queridos!
Hoje apresento a nossa nova parceira, a escritora Maura Palumbo, autora do romance O Perfume das Tulipas e da biografia Auschwitz, prisioneiro/sobrevivente 186650.
Eu amo livros sobre guerras e quando soube destes livros, fiquei muito curiosa. Lendo no site da Maura sobre seu projeto, as perguntas imediatamente começaram a aparecer na minha mente. Fiquei muito feliz quando ela topou esta entrevista.

Maura, por favor, apresente-se para nossos leitores.
Se existe algo que me eleva é dizer que sou escritora. Quando escutei isso pela primeira vez foi mais que uma realização, foi uma sensação que havia conseguido transformar inspiração em palavras. Posso dizer que nasci em um ambiente totalmente voltado para leitura. Os livros nunca representaram peças de decoração ou simplesmente parte de alguma coleção, eles eram instrumentos de consulta e aprimoramento educacional e principalmente emocional. Durante minha vida armazenei palavras, ideias e sentimentos que encontrei em autores que até hoje carrego comigo. Quanto mais conhecia obras e escritores, mais era o meu desejo de ser “dona de minha própria história”. A leitura muitas vezes leva à escrita e, foi exatamente isto que aconteceu comigo. Meu refúgio e meu deleite é poder escrever. Nada me fascina mais.

Você é formada em direito, trabalhou na área? Ainda trabalha como advogada ou hoje você se dedica exclusivamente à escrita?
Hoje sou empresária. Tenho duas lojas e não posso me dar ao luxo em não trabalhar. Escrever é 100% do que gosto de fazer. Não abro mão de viver sem compor algo. A deliciosa solidão de criar é viciante. Passo horas, dias, meses, para encontrar o tom certo das palavras. Leio muito, pesquiso sempre. São combustíveis essenciais para produzir um texto. Não há para mim satisfação maior que escrever e provocar emoções. É um processo de constantes revelações. É encantador não permitir que o brilho de cada palavra se esgote.

Como surgiu a ideia do seu primeiro livro, O perfume das tulipas?
O Perfume das Tulipas é filho planejado e concebido com profundo amor. À medida que recorria a descobertas sobre a Segunda Guerra e principalmente sobre o Nazismo, eu era instigada e “provocada” para criar uma história que acontecesse durante este período. E assim foi... A imaginação e o apelo histórico formaram gradativamente um enredo que considero um verdadeiro encontro de vidas que atravessaram o maior dos conflitos mundiais, sucumbindo ou sobrevivendo. É maravilhoso poder sentir a transformação de personagens, valores e sentimentos dentro de uma história motivada pelo ódio e pelo amor. É um trabalho vibrante.

E do segundo livro, Auschwitz, prisioneiro/sobrevivente 186650?
Eu digo que o segundo livro me achou! A história estava guardada como um tesouro a ser revelado, pelo sobrevivente Francisco Balkanyi.  No dia Mundial das Vítimas do Holocausto, dia 27 de janeiro deste ano, ele manifestou na imprensa o grande desejo de compartilhar sua história. Eu me candidatei em escrevê-la e fui selecionada. Esta escolha fez de mim uma privilegiada. Não tenho como expressar a grandiosidade de poder ouvir e sentir, os relatos de tudo aquilo que até então, tinha conhecimento a partir de livros e filmes. Estava diante da “ponte” que me ligou diretamente aos fatos, às pessoas, ao tempo. Tudo ficou incrivelmente próximo. Poder usufruir da sabedoria e sensibilidade de uma pessoa rara foi fundamental para desenvolver uma verdadeira história de superação. O mais gratificante é que estabelecemos um poderoso laço de afeto e amizade.

Imagino que para um livro com conteúdo histórico seja necessário um amplo trabalho de pesquisa. Como foram feitas estas pesquisas? Você conta com uma equipe? Faz estas pesquisas sozinha?
Como mencionei, desde muito nova fui conduzida e “enfeitiçada” por livros. Era prazeroso me transportar para tudo que lia. Eu delirava “sendo” personagens ou imaginando diferentes desfechos.  A minha paixão pelo tema nazismo, foi crescente. Aos 14 anos li o Diário de Anne Frank. Dessa vez, me conduzi a encarnar àquela menina privada da liberdade. Era a descoberta das atrocidades de uma guerra. Hoje reconheço que minha viagem a este tempo é sem volta.
As pesquisas são impressões digitais para mim. Eu preciso fazê-las. Elas são grande parte da minha inspiração. Preciso investigar, confrontar. Funciono sozinha. Todos meus livros e artigos são grifados e possuem muitas anotações. Eu os personalizo. É um trabalho que envolve concentração. Apesar disso não dispenso as sugestões de pessoas próximas. Elas são bem-vindas e aproveitadas. É importante poder ter a possibilidade de se questionar. Isto é enriquecedor.

Sempre me chama a atenção a escolha do título! Como você chegou a estes títulos?
Meus títulos nascem antes de escrever o livro. Preciso ter o título para alavancar a história. É escolher o nome do filho ainda na gestação. A formação da história evolui a tal ponto que é necessário exteriorizá-la. Escrever é fazê-la nascer.
O Perfume das Tulipas é um nome que envolve encantamento. Na verdade, estas flores não tem aroma. O desafio dos personagens e dos leitores é exatamente quando e como cada um poderá senti-lo.
No segundo livro, o Sr. Balkanyi fez um comentário inspirador. Declarou que o número impresso em seu antebraço era motivo de orgulho e não de vitimização. Isso me deu a oportunidade de usar esta inscrição como uma referência a um sobrevivente e não a um prisioneiro. A partir daí, o título: Auschwitz Prisoneiro Sobrevivente 186650.

Como é sua rotina? Você escreve (ou escrevia) todos os dias?
Escrevo todos os dias e se puder sem interrupções. Escrevo sempre. Não posso ficar sem escrever. É uma terapia. Uma profunda e inigualável sensação de renovação inesgotável. Durante a madrugada, costumo ter flashes, ideias... Anoto para não correr o risco de esquecê-las.

Atualmente você tem um novo livro em produção? Como estão seus projetos?
Sim, “Entre os Canteiros” é a continuação do “Perfume das Tulipas”. Abrange a trajetória do pós guerra. O lançamento será em junho de 2018.

Eu vejo e idealizo estes livros como uma minissérie.  Com muita pretensão e altas doses de otimismo escalei a direção e atores. Agora é realizar! Tenho muito o que batalhar!

Deixe um recado para nossos leitores.

Algo poderoso e transformador está em tudo aquilo que estamos dispostos a aprender. Somente quando temos informação é que podemos conceber ideias e praticá-las. Ela nos chega por diversos caminhos e em diferentes direções. Temos que canalizá-la para formar nossas próprias opiniões e nossas teorias. A leitura nos torna dinâmicos, mutáveis e incrivelmente adaptáveis .  Ler nos torna mais preparados e atiça nossa criatividade. Precisamos de doses de leitura. Usem sem qualquer moderação!

Gostaria de parabenizar a Maura pelo lindo trabalho!! Fiquei ainda mais animada para ler seus livros.

Ficou curioso para ler estes livros? Teremos posts especiais dos dois livros aqui no BLOG. Enquanto isso, recomendo que você visite as redes sociais da Maura Palumbo, esta querida escritora.


Comentários

  1. Clau, parabéns pela entrevista, adorei. Esse é um assunto muito interessante, apesar de triste. Também gosto muito desse tema, vou achar o livro por aqui e ler.
    Obrigada pela dica. Suas dicas de livros são sempre ótimas. beijo

    ResponderExcluir
  2. Que delícia de entrevista! Degustei com encantamento! Também acho importantíssimo a alavanca da leitura para conseguir escrever.

    ResponderExcluir
  3. Admiro muito quem escreve livros, acho que uma inteligência incrível.
    Parabéns a autora.

    ResponderExcluir
  4. Muito boa a entrevista. Maura Palumbo é uma nova escritora que merece nossa atenção...

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