Resenha: Nada Consta (Danilo "Japa" Nuha) - Geração Editorial

Título: Nada Consta I Autor: Danilo "Japa" Nuha
Ano: 2017  I Páginas: 168 I Idioma: português  
Editora: Geração Editorial I Classificação: 4/5 
Livro cedido pela editora

Hoje trago para vocês o mais recente lançamento da Geração Editorial, o livro Nada Consta, escrito por  Danilo "Japa" Nuha.
Assim que soube deste lançamento no site da Geração, fiquei muito curiosa para ler. De cara a capa me chamou muito a atenção (sim, eu escolho muito livros pela capa), mas eu não imaginava como seria esta leitura, já que não gosto de ler a sinopse antes.
O livro me fez pensar e questionar. Afinal é ficção? Realidade? Do que se trata? É um livro memórias?  Quando conta sobre seu envolvimento com drogas, é realidade ou ficção?
Quando fala da ex-namorada, dando o nome dela e do atual marido, é ficção ou realidade? O jornalista é muito autêntico e verdadeiro, ou é uma jogada de escrita? Ele usa como estratégia "possibilidade de ser algo fictício"? Eu me fiz todos estes questionamentos. Não cheguei a conclusões, mas levantei várias hipóteses e adoraria conversar com ele para confirmá-las.

Nada Consta é um livro bem diferente, tem um ritmo alucinante, uma pegada jornalística que eu gosto muito. Me agradou bastante.
Uma criança abandonada na porta de um bar. Adotado por uma família oriental, Danilo ganha uma família tradicional, com irmãos bem mais velhos que ele. Senti falta de saber mais sobre esta família e sobre os vínculos estabelecidos. Pode-se questionar que não é este o tema ou o foco do livro, mas eu adoraria saber mais sobre estas relações. Tive a impressão que Danilo mantêm uma certa distância afetiva da família no livro. Na passagem que narra sua volta ao Brasil, após viver no Japão, conta que os dois irmãos tinham morrido em consequência do agravamento do diabetes, mas não dá detalhes, nem demonstra com clareza o que sentiu. Ponto final na estória dos irmãos.

Narrado em primeira pessoa, o livro mantém um tom intimista e detalhista, mas ao mesmo tempo um certo distanciamento emocional.  Danilo conta passagens da sua trajetória de forma vertiginosa. Narra diversas passagens tensas e perigosas. É corajoso na sua escrita, principalmente com relação a drogas e álcool. Alterna estórias da época que viveu no Japão com outras vivenciadas no Rio de Janeiro. Me parece que a maior parte de sua vida foi uma grande aventura.
Milton Nascimento e Danilo "Japa" Nuha
Fonte: Geração Editorial
Sem dúvida, a parte que mais gostei foram as passagens sobre o contato dele com grandes nomes da música brasileira, em especial, o maravilhoso Milton Nascimento, que Danilo chama pelo apelido, Bituca. Conta passagens interessantes com artista como João Donato, Bansky, Almir Sater e Seu Jorge, entre outros. Parece que o jornalista está sempre na hora certa e no local certo.

"Naquele momento, cheguei à conclusão de que a música seria o único refúgio possível, para onde sempre se pode voltar, por maior que seja a derrota, em qualquer que fosse a guerra." (página 62)

É difícil definir seu estilo. Gostei muito da sua escrita. O livro é muito bem escrito e interessante, embora não estabeleça uma grande empatia ou afinidade maior com o leitor, pelo menos comigo foi assim. Em alguns momentos senti certa tristeza, como nas passagens que o autor narra perdas de objetos e lembranças, em três situações diferentes, que ele chama de "incêndios".

A capa do livro é muito, muito bacana! Eu adorei a diagramação. Geração Editorial caprichou, como sempre. Adorei as fotos, acredito que elas ajudam na contextualização, tornando o livro ainda mais interessante. É composto de 43 capítulos curtos, que tornam a leitura agradável e rápida. Folhas brancas e letras em tamanho confortável. 
Sinopse: Este livro – romance, memórias, aventura mágica? – de Danilo “Japa” Nuha é um livro de ladrão, pulador de muros. É a história de um vendedor de livros e discos do Beco das Garrafas, em Copacabana, Rio de Janeiro, que começa a narrar sua vida a partir da infância, quando foi largado, ainda bebê, no boteco de um casal de japoneses em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul e a partir daí não para mais. De jornaleiro e balconista de botequim no Mato Grosso do Sul a operário de fábrica e aspirante a bandido no Japão aos 16 anos; contrabandista em Bali; jornalista em Tokyo aos 25 e, finalmente, de volta ao Brasil, onde vive encontros surpreendentes junto a grandes artistas, como Milton Nascimento, João Donato, Paulo Moura, Roberto Carlos, Emílio Santiago, Criolo, Racionais MC´s, Hermeto Pascoal, Banksy e Almir Sater, entre outros. Ficção? Realidade? Só lendo para entender.

Sobre o autor:  Danilo Japa Nuha nasceu no Brasil em algum momento de 1981. E ainda hoje não se sabe onde. Desde então já foi jornaleiro, balconista de bar, açougueiro, limpador de fossa, descarregador de caminhão, operário, jornalista, muambeiro, traficante, professor de história, instrutor de yôga, fiscal de concurso público, assessor de imprensa, operador de teleprompter e produtor. 

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Agradeço a Geração Editorial pelo envio do livro e recomendo sua leitura, principalmente para quem gosta de MPB, aventura, livro de auto-ficção e temática jornalística.
Você já tinha visto este lançamento? Leu? Quer ler? Me conte, eu vou adorar saber!


Comentários

  1. Também adoro comprar um livro pela capa (sou destes!) Realmente tem uma capa chamativa e adorei a resenha, vou atrás do livro!

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    1. Ah, Adriano, estas capas chamativas nos motivam, ne?
      Leia e depois me conte o que achou.
      Bjs

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  2. Eu também escolho livros por capas e por títulos; a sinopse fica mesmo por último, tenho medo daquelas contam o melhor que a história tem. O autor por si só tem um currículo de grandes e diferentes experiências, deve ter muito o que contar. Sobre essa dúvida de não saber o que é real ou imaginário, li um livro assim esses dias. Adoro livros que têm fotografias ou ilustrações dando um sabor a maior ao enredo. Dica super anotada, adorei!

    *☆* Atraentemente *☆*

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    1. Nem me fale em sinopse que conta quase tudo...eu morro de medo...rs
      Leia e depois me conta o que achou!
      Bjs, querido

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  3. Olá, tudo bem?
    Não conhecia o autor e nem o livro, mas a capa é linda mesmo.
    E sou igual a você... também não leio a sinopse antes. Parece que a leitura fica melhor né?
    Beijos!

    Http://excentricagarota.blogspot.com.br

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    1. Oi Esther!
      Tudo bem e você?
      A capa é show!!
      Fica sim, eu prefiro a surpresa sempre :)
      Obrigada pela visita.
      Bjs

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  4. Confesso... compro alguns livros pela capa tb... rs...
    Gostei muito do seu texto, me senti instigada a ler e saber mais detalhes sobre o livro! Ja está na minha lista... com certeza!

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    1. Olá Andreia!
      Ah, que bom! Leia e depois me conte o que achou.
      Bjs

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  5. A capa é linda mesmo, eu não conhecia a história e ler sua resenha me deixou curiosa sobre o Danilo.

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  6. Sou como você, gosto de ler livros que me atraiam pela capa, porém nem sempre o conteúdo é bom mas sou dessas... Amei sua resenha e me deu vontade de ler esse livro, já anotei aqui na minha lista. bjos.

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  7. Olá! Adorei essa capa, adoro livros com ritmo mais rápido e pegada jornalística. Gosto muito quando livros mexem com o leitor, provocando seus sentimentos. Fiquei curiosa pelo destino do menino abandonado na porta do bar. Beijos!
    Karla Samira

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