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O Capricórnio de Aproxima

O Capricórnio se aproxima, de Flavio Cafiero é o primeiro livro que li este ano através da nossa parceria com a Editora e-galaxia. Este é o livro de agosto. 
Escolhi este livro por vários motivos. Estava curiosa para conhecer a escrita do Flavio, achei o título interessante, e porque eu queria ler um livro que fugisse do esquema tradicional de escrita. 

Este é o primeiro livro do selo J, que tem coordenação e curadoria da incrível Noemi Jaffe, o que me fez querer muito ler este livro também.
A leitura foi muito boa, fluida e prazerosa. 
Um texto bem escrito, que me fez refletir e me levou à minha infância, onde meus avós também usavam não só uma linguagem figurada para discutir temas mais picantes para as crianças, como falavam ainda em italiano para que não acompanhássemos a estória.
Sinopse: “Vender enciclopédias”, “trabalhar em banco”, “comer pudim de pão”, “fazer aula de violão” e, finalmente, “ser de capricórnio”. Códigos familiares para assuntos proibidos para as crianças. É percorrendo esse mapa congestionado da linguagem que o leitor vai compreendendo lentamente o enredo cheio de humor e melancolia de O capricórnio se aproxima, do carioca Flavio Cafiero.
A personagem principal é João, um taxista que tenta se entender com as novas tecnologias exigidas pela profissão e com a necessidade de aprender inglês por conta da Copa do Mundo no Brasil. Porém, mais difícil do que operar um sistema de GPS ou arriscar um Go on, são as relações familiares, que podem parecer banais apenas para quem as vê de fora. Mas aos poucos vamos nos reconhecendo no cotidiano da família de João através de referências escolhidas com muita agudeza por Cafiero: programas de televisão, jogos de futebol, xingamentos, nomes próprios e comidas típicas. Algum detalhe fisga o leitor. Surge então um outro mapa: o da cidade do Rio de Janeiro. E assim como o da linguagem, aqui há regras, sentidos obrigatórios, congestionamentos e riscos de acidentes. Os mapas – da linguagem e da metrópole – se sobrepõem criando camadas de significado.

Quando criança, João aprendeu que há palavras que não se pronunciam. Assim como há caminhos que se deve evitar. Mas sonhos, desconfianças, boatos e toda a confusão gerada pela trama densa da linguagem, levam o protagonista a um desfecho dramático. E em alguma medida, patético.
O capricórnio se aproxima é o primeiro livro do Selo JOTA, que tem coordenação e curadoria de Noemi Jaffe. A ideia original desta coleção partiu do pioneiro e consagrado Oulipo, grupo de escritores entre os quais se incluíam Italo Calvino, Raymond Queneau e Georges Perec. Todos os livros do JOTA partem de um desafio, de restrições narrativas que, por paradoxal que pareça, atuam de maneira a incrementar o texto ficcional.
A linguagem como jogo e a arte como forma. Dois pressupostos que orientam este primeiro livro do JOTA e orientarão os próximos. Libertar a narrativa do lugar confortável da verossimilhança. Provocar no leitor certa desconfiança em relação aos caminhos prontos da linguagem que orientam suas vidas.
Percorrer a cidade do Rio de Janeiro e os códigos da linguagem com o João taxista de Cafiero, deve nos lembrar que não há rota segura nesta vida (mesmo com GPS), seja trilhando os caminhos das cidades, das relações pessoais ou da linguagem.


Sobre o autor: Flavio Cafiero nasceu no Rio de Janeiro em 1971 e vive em São Paulo desde 1995. Em 2013 publicou seu primeiro romance, O frio aqui fora (Cosac Naify), finalista nos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura. Em 2014 estreou como dramaturgo com a peça Antes de mais nada e lançou mais dois livros: a antologia de contos Dez centímetros acima do chão (Cosac Naify) e O capricórnio se aproxima (e-galáxia).

Tenho muito orgulho desta parceria que começou em 2015. A proposta de editora de publicar apenas livros digitais é muito interessante. Conheçam o trabalho cuidadoso desta excelente editora. 
No site da Kobo você pode comprar este e outros ótimos e-books. Recomendo muito!

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