Uma Menina Está Perdida no seu Século à Procura do Pai - Eu Li!!

Quando este livro foi escolhido para discussão do nosso clube da leitura de janeiro, fiquei muito contente. Estava muito curiosa e ansiosa para a leitura. Este é o primeiro livro que leio deste premiado autor, que nasceu em Luanda e foi criado em Portugal.
O livro mantem o português de Portugal e a única diferença da edição portuguesa é a capa. Acho a nossa capa (acima) mais bonita. Adoro livros com capas bonitas e com títulos exóticos, então, de cara já tinha meio caminho andado para gostar deste livro...rsrs.
A leitura a princípio pode causar certa estranheza, mas entendi porque Gonçalo é tão premiado. Pra começar ele "brinca" com a narração, em certos capítulos o livro é narrado na terceira pessoa, em outros na primeira pessoa e em outros ainda, alterna entre as duas. Achei tão diferente que voltei pra conferir se tinha me distraído, mas era assim mesmo. Muito interessante este jogo do autor. Adorei o livro! 
Lançado pela Companhia das Letras
Temas como guerra, amizade, reminiscências, preconceito, Síndrome de Down são muito bem explorados neste belo e muito interessante livro. Outra coisa muito bacana é a forma como Gonçalo explora as sensações da trama. Em certos momentos vivenciei uma grande angústia, em outras tensão, em certos trechos ternura...bom, bom, muito bom. Recomendo muito! Favoritado.
Agora quero ler os outros livros dele, inclusive o premiadíssimo Jerusalém.

Na Europa após a Segunda Guerra, em meio a uma paisagem de escombros, figuras esqueléticas e quase absoluto desamparo social e psicológico, uma menina e um homem perambulam por entre as ruínas. A menina é Hanna, tem catorze anos, é portadora de uma doença congênita e está em busca do pai; o homem é Marius, sujeito enigmático que parece se esconder do próprio passado. Essa improvável dupla protagoniza Uma menina está perdida no seu século à procura do pai. Desprotegida, com dificuldades de comunicação, Hanna carrega uma caixa repleta de fichas com uma espécie de curso, com atividades e perguntas, e é a partir delas que se lança num questionamento sobre o que é o ser humano - muitos dos objetivos de aprendizagem são difíceis de serem atingidos até por pessoas sem deficiência mental. Junto com Marius ela vai parar em um estranho hotel em Berlim: os quartos não têm números, mas carregam os nomes dos campos de concentração que, pouco tempo antes, foram o palco do inferno para milhões de pessoas. Quando Marius pergunta por que fazem aquilo, a dona do hotel responde: “Porque podemos. Somos judeus”.

Este novo romance de Gonçalo M. Tavares ganha contornos fantasmagóricos e irônicos típicos do autor português, que, avesso às convenções do gênero, constrói aqui um retrato a um só tempo abstrato e absolutamente tocante sobre as verdadeiras vítimas da guerra: as pessoas comuns, aquelas mais fragilizadas, que de repente se veem à margem de todos os acontecimentos. Há algo de calculado mistério ao longo de todo o romance, porém a ousadia não é pretexto para estéreis jogos formais. Com maestria, o autor apresenta a vida de seus personagens com intensidade, empatia e um gosto quase inesgotável para capturar os detalhes mais inesperados da vida de cada um.
Sobre o autor:
Nasceu em Luanda, em 1970, tendo ido logo a seguir para Portugal. Premiado e elogiado pela crítica, estreou em 2001 com Livro da dança., e vem se firmando como uma das maiores vozes do romance português contemporâneo, sendo elogiado por escritores como José Saramago e considerado pelos críticos como um "Kafka português". De sua autoria, já foram publicados no Brasil ,O homem ou é tonto ou é mulher1O senhor Valéry, entre outros. Autor de uma obra prolífica que desde sua estreia, em 2001, já alcançou o impressionante número de 27 títulos.

"Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater!" (José Saramago)



Comentários

  1. Oi! Só o título chama a atenção, fiquei muito curioso com o livro, além de se passar após a 2ª G.M.. Ótima resenha, parabéns. :)

    blogleitorit.blogspot.com.br

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    1. Obrigada pela visita!
      Tbe adoro livros sobre guerras :)
      Leia, vale a pena!

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  2. O título é mesmo instigante! Não conhecia esse livro. Amei mesmo a capa daqui. A de Portugal é muito séria! E deve ser um pouco confuso ler com tantas mudanças de pessoas nas narrações. Eu me perderia muito!!! rsrs...
    Beijos
    Adriana

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